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Tópico: Projeto " A Caixa " - Construção de uma caixa acústica "personalizada"

  1. #1
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    Projeto " A Caixa " - Construção de uma caixa acústica "personalizada"

    Este texto foi originalmente produzido no Blog Hi-Fi Planet a adaptado ao Clube Hi-END


    Introdução


    A melhor caixa acústica do mundo.
    Ela não existe, mas pode fazer parte da sua sala.
    Confuso? Então leia este artigo que é resultado de um longo e sério trabalho sobre o tema.

    Sobre este artigo

    Este será um longo artigo, pois trará todos os detalhes para entender como colocar a melhor caixa acústica do mundo em sua sala. Isto não é um exagero. É um fato.
    Portanto, não será possível tratar deste tema em uma ou duas páginas, e assim todas as postagens deste artigo ganharão um espaço especial dentro da Categoria "DIY", para melhor organização e facilidade de acompanhamento de cada parte.

    Poderão ocorrer atualizações das partes já concluídas, já que o projeto levou muitos anos para ser concluído e muitos detalhes serão trazidos pela memória durante a elaboração deste artigo. Portanto, recomendo que cada parte seja relida periodicamente.

    Cada parte será escrita e publicada durante sua confecção, pois não há um artigo pronto, e sim inúmeras anotações, fatos e outras lembranças que serão incluídas conforme minha disponibilidade, que não é farta.

    Não vou poupar alguns comentários que acho oportunos, pois o áudio hi-end no Brasil tornou-se uma questão bastante prostituída, tão grande o número de interesses pouco nobres envolvidos. Idéias, produtos e artigos são produzidos por interesse financeiro, e não pelo prazer em colaborar e desenvolver uma comunidade séria de áudio hi-end nacional.

    Serei obrigado a suprimir algumas informações, mais especificamente nomes e marcas que estiveram envolvidas neste trabalho, pois a repercussão de alguns fatos podem prejudicar aqueles que de alguma forma participaram desta empreitada, seja fornecendo informações preciosas (nem sempre do interesse do fabricante para quem trabalha), seja na obtenção de componentes de produção exclusiva.
    Para todos estes colaboradores, europeus e americanos, que certamente terão acesso a parte deste artigo, já que houve interesse de um bom amigo de uma publicação estrangeira de incluí-lo em suas páginas, deixo aqui meus mais sinceros agradecimentos pelas suas preciosas participações, sempre motivadas pelo amor ao hobby, o que lhes deu a motivação e a empolgação necessárias para até correr riscos no desejo de colaborar com este projeto.

    Agradeço, ainda, o amigo Carlos Camardella, que me deu a orientação inicial dos caminhos a seguir nessa jornada e, pacientemente, colaborou intensamente do início deste projeto. A motivação e a determinação que tive para concluir este trabalho, nada fácil, nasceram de sua participação logo em seu início.

    Todos os comentários, opiniões e críticas serão bem-vindas, mas estou certo também que haverá sempre a manifestação daqueles que tentarão desmerecer este projeto, seja pelo conflito de interesses pessoais ou profissionais, pela falta de conhecimento verdadeiro dos temas tratados, ou até por sentirem-se incomodados com algumas revelações que não serão omitidas, pois o objetivo deste artigo é muito claro: esclarecer alguns pontos importantes sobre caixas-acústicas, e dar as informações necessárias para quem quiser seguir na mesma direção e, como eu, sentir-se orgulhoso de ter chegado lá, onde talvez poucos consigam estar um dia.
    Não sou melhor do que ninguém, apenas me dediquei muito para buscar, conhecer, entender, concluir e aplicar os conhecimentos necessários para o sucesso deste projeto, sem me preocupar com as "verdades" pregadas pelo velho mercado. Comecei do zero, sem carregar vícios ou conceitos pré-concebidos, e selecionei cada nova informação após ter certeza de sua veracidade.

    Tudo o que vou apresentar aqui pode ser contestado, criticado ou desprezado por quem assim preferir, mas garanto que quanto maior a resistência, mais longe se estará dos verdadeiros conhecimentos sobre o tema. Na dúvida, recomendo que faça por sua própria conta, e depois confirme.

    A participação é livre, e bem-vinda. Fique à vontade.
    Este artigo é feito para você, apaixonado pelo áudio de qualidade, concebido de forma gratuita, sem patrocínios e sem proporcionar qualquer lucro ou outra forma de compensação financeira.
    A única intenção é aquela que sempre norteou todos os artigos publicados pelo Hi-Fi Planet, levar informações úteis e fiéis a quem se interessa pelos temas aqui tratados. Faço por paixão, por prazer, e por acreditar que se em cada segmento de nossa vida houvesse a colaboração honesta, fiel e desinteressada, todos ganharíamos muito com isso, como já houve no passado, quando grandes cientistas ampliaram os conhecimentos da ciência movidos pelo pioneirismo, pela satisfação e engrandecimento pessoal. Infelizmente, cada nova criação hoje é feita visando lucros para quem dela primeiro se apodera.

    Espero que apreciem este artigo e que ele tenha alguma utilidade no aprimoramento de seu hobby, e só com isso já me sentirei bastante compensado.
    Eduardo

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  2. #2
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    Parte I - A Origem do Projeto


    Começaremos nosso artigo aqui.
    Antes de irmos ao projeto em si, vamos avaliar alguns pontos que foram alvos de longas reflexões e estudos.


    Aos 14 anos iniciei meu interesse pela eletrônica já fazendo reparos em equipamentos de som de alguns amigos, com apoio de meu tio, que teve a primeira loja de consertos eletrônicos do Ipiranga. Na época era tudo valvulado, e o vinil imperava.

    Apaixonei-me pelo áudio, e comecei a montar meus próprios equipamentos já aos 15 anos, inclusive caixas acústicas. Desde aquela época, o áudio sempre fez parte de minha vida, como um hobby, já que o destino me levou à outra direção profissional.
    Hoje, com quase 50 anos, posso dizer que, depois de muitas pesquisas, muitos testes e bastante leitura, toda esta dedicação valeu a pena, pois depender das bobagens que lemos em algumas publicações que se dizem "especializadas" e outras tantas vindas de inúmeros sites da internet, eu não teria chegado a lugar algum.

    O que os fabricantes de caixas, com quem tive bastante contato, puderam me ensinar, acho que não aprenderia nem lendo tudo o que já existe publicado sobre o assunto.

    A importância das Caixas Acústicas

    Por uma questão de hábito, poderei tratar estes componentes como "caixas acústicas" ou simplesmente "caixa", no singular mesmo. Pois, na verdade, trata-se sempre de uma caixa, que é produzida em pares ou em conjuntos, visando compor um sistema estéreo ou multicanal. Por isso não estranhem a variação de escrita.

    Quando conheci o universo da alta-fidelidade (Hi-Fi), ainda garoto ao consertar e experimentar os "famosos da época", Sansui, Marantz, Teac, Garrard, etc., além dos fabricantes nacionais que foram chegando como a Gradiente, Polivox, Nashville, Cygnus, Lando, Quasar, etc., havia muita diferença em termos de sonoridade entre um equipamento e outro.
    As próprias especificações dos catálogos e revistas da época mostravam isso.

    Com o passar dos anos, novas tecnologias foram sendo descobertas, o uso do transistor bipolar, o FET, o CD e inúmeras outras descobertas que começaram a fazer com que os equipamentos convergissem para uma mesma direção, cada vez mais próximos da melhor fidelidade.
    Foi a época do crescimento dos equipamentos Hi-Fi, que poderiam ter sido chamados de "Hi-End" da época. Ainda hoje, defino o Hi-End como uma seleção dos melhores equipamentos Hi-Fi, já que não deixam de possuir uma fidelidade bastante elevada.

    Essa convergência foi interessante, pois as bases dos projetos começaram a ficar bastante parecidas, chegando mesmo a se criar alguns padrões, como amplificação AB, classe A, etc., mudando apenas uma ou outra forma de implementação de um fabricante para o outro. Ainda hoje é assim, as soluções técnicas foram tão aprimoradas (ou copiadas), que não existem diferenças gigantes entre um ou outro equipamento da mesma categoria, apenas variações bastante sutis, na maioria dos casos.

    Recentemente tenho lido alguns críticos de áudio afirmar, em calorosas discussões, que todos os amplificadores hoje são iguais, claro que dentro de um mesmo patamar. Há alguns que ainda afirmam que existem alguns equipamentos no mercado vendidos como "popular" que apresentam desempenho similar a muitos modelos mais caros, de categoria superior.
    Isso tem muita lógica.

    Durante a evolução de meu sistema, mais recentemente, realizei compras baseadas em avaliações "maravilhosas" de alguns "críticos de áudio", e acabei adquirindo equipamentos até caros, amplificadores de marcas prestigiadas como Jeff Rowland, Krell, Bryston além de emprestar modelos da Eletrocompaniet, Primare, Musical Fidelity, entre outros.
    Como fontes, a situação não mudou muito, cheguei a comprar alguns dos mais "badalados" players do mercado, até o modelo "cheio de milagres" da Oppo, o BD-83 (um exagero do mercado que nunca vou entender), além de pegar emprestados outros mais caros, como um da Meridian de 15 mil dólares.
    O mercado é muito estranho, amplificadores de uma mesma marca, como um Eletrocompaniet, foi elogiado por uma publicação americana, enquanto outra européia lhe deu uma nota baixa. Porque essa diferença? Chegaremos lá

    Em matéria de cabos, a situação é a mesma. Recentemente vi uma publicação nacional testar um cabo do mesmo preço de um carro popular!!!
    Isso é um exagero. Cabos muito mais acessíveis já mostraram resultados melhores em comparativos internacionais. Aliás, posso afirmar hoje, e acho que muita gente séria do mercado também, que cabo tem um agregado muito forte no preço quase que exclusivamente pela sua "grife".
    Vamos mais longe? A respeitada publicação inglesa Hi-Fi Choice, testou alguns cabos, e concluiu que um modelo da Townshend superou concorrentes da Nordost e da CrystalCable. Enquanto a opção vencedora custava apenas US$ 50 / metro, o segundo saia por US$ 185, e o último por absurdos US$ 1.395.
    Surpresa? Não para mim, que venho acompanhando situações como estas se repetindo continuamente no mercado internacional.

    Na verdade, lado a lado, os componentes acima não apresentam diferenças significativas, e chegam mesmo a apresentar resultados opostos dependendo do sistema, mas sempre sutis.
    Tenho hoje um amplificador e um player que me foram indicados pelo editor da revista Stereophile, que foi bem categórico em afirmar que se eu esperava um desempenho com qualidades realmente audiófilas, aquele era o caminho. Foi ainda bem categórico em dizer que, na maioria das vezes, o exagero era o grande erro de muitos projetos. Por exemplo, sugeriu inúmeros amplificadores integrados de baixa potência que, segundo ele, são os ideais para apresentar um desempenho verdadeiramente hi-end, já que amplificadores de grande potência, "os parrudos" como chamam aqui, dificilmente se prestam para atingir uma qualidade similar.
    Comentou que usou durante muito tempo um amplificador de apenas 6 Watts por canal, e que hoje a referência da revista é um Creek, de custo próximo dos US$ 2.000, que ele já considera um exagero. Claro que, por razões até comerciais, outros modelos mais caros são utilizados em outros testes.
    É difícil fazer o leitor acreditar que um amplificador deste pode ser o par certo para suas caixas de US$ 70.000.
    É um mercado estranho, mas estou conseguindo finalmente decifrá-lo.

    Vejam que com apenas US$ 1.200 você pode comprar amplificadores superiores a outros de US$ 20.000 ou mais. Imaginem a confusão no mercado.
    O grande problema são os interesses que existem por trás deste segmento. É um mercado milionário, onde pessoas têm em suas cabeças que qualidade se mede exclusivamente por preço, e podem pagar por valores insensatos.
    O difícil é tirar isso de quem sabe das coisas e teria a obrigação ética de informar. São justamente eles que dependem desse formato adotado pelo mercado.

    Se você está acompanhando o que estou demonstrando acima, e concordando com isso (é um direito seu discordar), deve estar imaginando porque, se amplificadores e outros componentes são tão parecidos, encontramos resultados muitas vezes bem diferentes entre um sistema e outro?

    Aí entramos na questão principal deste artigo.
    Eduardo

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  3. #3
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    Tratamento Elétrico e Acústico

    É fácil perceber que todo som gerado por qualquer sistema vai se dissipar numa sala, e sabemos que a acústica da sala pode mudar tudo.
    Não é exagero dizer "mudar tudo", pois isso faz diferença mesmo, não aquelas sutis de amplificadores, fontes e cabos (que muitos ainda insistirão que não são poucas, e sabemos as razões).
    Já cansei de ver sistemas modestos tocando muito bem numa sala bem tratada acusticamente, e sistemas formados pelos mais caros componentes do mercado tocando quase tanto como um bom system de hipermercado. (não... isso não foi um exagero... já tive oportunidade de provar isso e de deixar o dono do sistema milionário para lá de indignado).

    Uma sala sem um tratamento adequado não serve para concluir nada em termos de equipamentos. E saiba que algumas salas "dedicadas" de certas publicações possuem erros graves de soluções acústicas, mesmo o editor afirmando ser a sala de referência e ter equipamentos também de "referência"... lamentável!!!). Mas, como muitas vezes os testes nem são mesmo realizados, está bom demais para ele que tem que se preocupar com o faturamento de seus negócios ligados ao milionário mercado hi-end.

    Assim, temos aqui o primeiro ponto sério de qualquer instalação hi-end, a acústica da sala corretamente tratada.

    O segundo ponto é o tratamento elétrico.

    Imagine que todos os seus equipamentos são movidos pela energia elétrica de nossas redes públicas, uma das piores do mundo.
    São harmônicos, ruídos, interferências, variações de intensidade, etc... tudo conspirando contra seu sistema, infectando duramente seus equipamentos.
    Além disso, temos a compatibilização da tensão elétrica (ou voltagem como muitos chamam).
    Um equipamento europeu projetado para 110 Volts muitas vezes terá um desempenho inferior quando ligado em nossas redes de 127 Volts, ou 135 Volts como já medi certa vez, o que me incentivou a instalar um transformador redutor de tensão na minha sala de áudio. A diferença sonora foi muito grande, além dos equipamentos trabalharem mais "frios", aumentando a durabilidade e desempenho de cada componente.

    Um bom tratamento elétrico começa no poste de entrada da casa. Ali a energia já chega muito deteriorada, mas não há nada que possa ser feito antes. Bem que eu já tentei, reclamando com a Companhia de Força e Luz local que a alimentação que chegava em minha casa estava com alguns problemas de qualidade. Cheguei a fazer um estudo com o amigo e engenheiro Jorge Knirsch, mas a resposta que tive foi simplesmente de que não detectaram interrupções no fornecimento no período avaliado (?), e desconheciam o significado de "harmônicos" e suas implicações na utilização da energia elétrica (absurdo!).

    Para ter uma alimentação elétrica minimamente aceitável chegando a seu sistema, comece pedindo à um profissional habilitado e autorizado a substituir as emendas que são feitas nos fios de entrada de seu poste.
    A partir daí, rede dedicada, cabos e fios especiais, fusíveis adequados no lugar dos terríveis disjuntores, aterramento junto ao sistema, utilização de lâmpadas incandescentes, um bom filtro de linha, e outras inúmeras providências são absolutamente necessárias, assim como a acústica, para iniciar qualquer trabalho com relação aos equipamentos em si.

    Sem essas providências acima, esqueça. Seu sistema está soando falso (por mais que você não acredite nisso), e qualquer coisa que você faça para melhorá-lo será apenas um remendo para esconder a sujeira embaixo do tapete, piorando ainda mais a situação. Por isso observamos tantos "upgrades horizontais" (termo que criei e hoje é bastante utilizado para indicar substituições no sistema que na verdade não elevam sua qualidade final, mesmo que pareçam fazê-lo), com constantes trocas de componentes que nunca acabam.

    Caixas Acústicas

    Chegamos ao ponto.
    Aqui sim, um equipamento merece muita atenção. As caixas acústicas são os componentes mais importantes de um sistema. Não acredita nisso? Pois comece.
    Depois do tratamento elétrico e acústico, as caixas representam o próximo passo mais importante de um sistema, e pode até refletir de volta no tratamento acústico (o que não é realmente necessário como veremos até o final deste artigo).

    Acertando aqui, acredite, amplificadores, fontes e cabos serão fáceis de acertar sem gastar os preços ridículos e criminosos que o mercado pratica em muitos modelos.
    Eduardo

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  4. #4
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    Entrarei em detalhes sobre cada ponto mencionado a seguir, mas para referência inicial, apresento alguns tópicos importantes a respeito de caixas acústicas.

    1. Caixas também ficam obsoletas
    Por mais que você ame a sonoridade daquela caixa eletrostática, ícone da década de 80 (e não há nenhum problema com isso se você preferir assim), saiba que como qualquer outro componente tecnológico, caixas também ficam obsoletas, mais rápido que amplificadores e CD players (não incluo os novos formatos de alta resolução, pois já são uma evolução de conceito). Uma caixa com cinco anos de uso já está desatualizada parcialmente, se não totalmente, além de poder fatalmente estarem com componentes já comprometidos (capacitores, suspensão dos falantes, etc.). Atualizei minhas B&W 7NT com orientações do fabricante, e hoje parecem outras. Só ouvindo para acreditar.

    2. Não existe a melhor marca do mercado
    Depois de testar inúmeras caixas, e por último conviver com um modelo Sophia da Wilson Audio em substituição às minhas antigas B&W para áudio estéreo, aprendi uma coisa, não existe uma marca ideal no mercado. Nenhuma delas conseguiu me satisfazer em apresentar um modelo que conseguisse extrair do meu sistema a qualidade de som que deveria.
    Todo fabricante de caixas acústicas já leu o manual de "Como projetar uma caixa acústica". Eles sabem o que fazer e como fazer. As diferenças não estão na capacidade de criar boas caixas, mas na forma de implementá-las, e aí a coisa muda. Mas, inúmeras marcas são iguais, não havendo uma melhor que as demais.

    3. Não existe a melhor caixa do mundo
    A melhor caixa do mundo, segundo os críticos "especializados" (até alguns honestos), podem não apresentar um bom resultado em sua sala. Não culpe sua sala por isso. Culpe o fabricante sem dó. Na verdade, os fabricantes produzem caixas em laboratórios, e testam em salas com padrões bem discutíveis, tirando uma média dos resultados.

    4. Tecnologia faz diferença, mas não é tudo
    Nem sempre os melhores componentes vão dizer alguma coisa sobre o desempenho da caixa em sua sala. Um tweeter de diamante, por exemplo, é a última palavra em tecnologia aplicada à este componente, mas, novamente, não garante que a caixa ficará boa em sua sala. Pra ser bem honesto, é mais provável que não, nem ela nem qualquer outra. A culpa não é do componente, trata-se do melhor que existe atualmente, mas de outros fatores que analisaremos durante este artigo.

    5. Esqueça reviews que pontuam equipamentos
    Essa é uma forma ultrapassada e ineficiente de avaliar componentes. Numa avaliação de uma caixa não se está avaliando somente a caixa na verdade, mas a sala, o desempenho do sistema elétrico, um pouco os demais componetes do sistema, a gravação utilizada para teste, os ouvidos de quem avalia (que são sempre diferentes) e tantos outros fatores. Até a temperatura da sala tem influência nos resultados. Esqueça testes que pontuam equipamentos (classe A, B ou C, categoria Ouro, cinco estrelas, etc., esse formato já morreu no tempo.
    O mundo mudou, e eles não acompanharam.

    6. Triste conclusão: a caixa ideal não existe
    Não existe uma caixa ideal para uma sala no mercado. Por melhor que seja uma caixa, a possibilidade dela ser compatível com a sua sala é praticamente nula.
    Por isso, vamos discutir uma nova proposta neste artigo, que será seu objetivo principal: compatibilizar seu ambiente e seu sistema com uma caixa acústica, ou melhor, criar uma caixa compatível com o seu sistema.

    7. Outros
    Alguns outros pontos serão oportunamente discutidos.

    O Projeto

    Embarcando principalmente no ponto de número 6 acima, é que vamos ao que interessa.

    Se você quer ter a melhor caixa acústica do mundo, então construa uma, ou peça que alguém o faça mediante alguns critérios que abordaremos aqui.
    Calma, a coisa não é tão simples nem tão complicada como parece.
    Com alguma dedicação, e se tiver certas habilidades melhor ainda, é possível construir uma caixa por um preço bem menor que as melhores e mais caras caixas do mercado, e ter como resultado... a melhor caixa para a sua sala.

    Trataremos de um projeto que iniciou-se em 2006, e que só restou concluído no final do ano passado, em 2010.
    Claro que todo conhecimento adquirido ao longo de quase 35 anos de experiências ajudaram muito, mas foram nesses 5 últimos anos que as cortinas se abriram para um mundo que eu não conhecia, e que estava bem diante dos meus olhos.
    Somente rompendo segredos dos fabricantes, enveredando por caminhos desconhecidos e juntando inúmeras informações daqui e dali, foi possível desenvolver este projeto.

    Posso afirmar que hoje tenho uma caixa acústica perfeita, personalizada para as minhas necessidades, e que mesmo copiada para uma outra sala, pode ter resultados parecidos, pois ela possui características inéditas (que obviamente não interessam ao mercado industrial) capazes de torná-la a caixa ideal em quase todas as situações. Ela é "sintonizável" para a sala.
    A melhor caixa do mundo está aqui, e pode ser conseguida por você também.

    Apresento-lhes "A Caixa", ao lado da antiga B&W que agora, depois de muito atualizada, funciona somente para o sistema de home-cinema, e que já teve como parceiras inúmeras outras caixas, inclusive a mencionada Sophia:


    "A Caixa" pronta, e também vista por trás.


    Vista superior sem o supertweeter que retornou aos EUA para atualizações exclusivas.


    Vista do divisor de frequências.


    Com as telas de proteção ao lado da B&W.

    Acredite, estas caixas não são o que parecem.

    Estou certo que ao longo deste artigo todos se surpreenderão com os detalhes que mostraremos.

    Continua...
    Eduardo

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  5. #5
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    Parte II – A seleção dos componentes

    Como foram as escolhas para decidir o que seria utilizado na caixa.

    A escolha do tipo de caixa

    Não entrarei aqui em detalhes sobre os conceitos que envolvem os diversos tipos de caixas acústicas (seladas, com dutos, abertas, etc.), nem sobre suas vantagens e desvantagens.
    Existem inúmeros artigos em excelentes sites da internet que abordam esse assunto de forma bastante detalhada e competente, melhor do que eu poderia fazer aqui, principalmente tendo em conta o real objetivo deste artigo, que é o de apresentar a caixa de uma forma mais geral.
    Ao final, apresentarei alguns desenhos construtivos, para quem possa se interessar em se aventurar neste projeto.

    Em linhas gerais, esta caixa foi idealizada dentro de uma linha divisória entre os conceitos construtivos do tipo "Selada" e também do tipo "Dutada".
    Cada conceito tem suas vantagens e desvantagens. Não existe uma solução perfeita.
    O que cada fabricante tenta fazer é selecionar um tipo e buscar corrigir suas limitações.
    Ambos os conceitos me agradam, mas devem, principalmente, "casar" com a sala e o equipamento. Como este era o objetivo principal deste projeto, ter um equipamento versátil capaz de se ajustar facilmente a qualquer necessidade, nasceu aqui a primeira característica que o projeto deveria observar, a possibilidade da caixa trabalhar nestes dois conceitos.

    Durante todo o desenvolvimento deste projeto, que como já mencionei levou 5 anos para ser concluído, além das pesquisas científicas em livros, sites e projetistas, ainda busquei pegar emprestado, ouvir e comparar diversos modelos de caixas acústicas, inclusive algumas que cheguei até a adquirir.
    Até pelo contato que consegui junto a alguns fabricantes, alguns modelos tiveram maior destaque neste período.
    Mais uma vez, ressalto aqui a importância dos projetistas que colaboraram com este projeto, com muita boa vontade, mas que infelizmente não posso identificá-los aqui, já que compartilharam comigo alguns "segredinhos" sobre o projeto de uma caixa acústica, sobre componentes e também em relação ao próprio mercado.

    Entre as caixas utilizadas como referência para este projeto, as mais comparadas foram:

    B&W 802D

    Considerada pela crítica internacional como uma das melhores caixas do mundo.
    Tem uma construção muito robusta, com o módulo de médios e agudos separados da caixa principal. Descobri que isso tinha uma razão de ser, e não por menos, foi uma das soluções que adotei em minhas caixas.
    A 802 tem um som bastante detalhado, agradável, preciso, rápido e muito próximo dos resultados que eu buscava numa boa caixa acústica. Seu único problema, no meu modo de ver, é que seus graves não se adaptaram à minha sala. Senti que, apesar de todas as suas qualidades, faltava alguma coisa. Mas ela foi uma referência importante.
    O tweeter de diamante é sensacional, mas tive dificuldades na época para adquirí-lo (o fabricante é chato demais), e acabei optando por outra solução.
    Convém mencionar que o mercado já oferece algumas opções de tweeter de diamante, mas não são ainda nada próximo do modelo da B&W.
    Mesmo um destes, que ganhou destaque recentemente, trata-se de um domo metálico, sendo o diamante depositado em sua superfície.
    Apesar da grande propaganda do fabricante, quem já testou esse modelo diz que ele deixa muito a desejar.
    A B&W é talvez o fabricante que mais investe na pesquisa e tecnologia de seus produtos.

    Wilson Audio Sophia 2

    É uma caixa maravilhosa que acabei adquirindo para que fosse a minha caixa "definitiva", até que a evolução tecnológica vencesse suas qualidades.
    Posso afirmar que, de todas as caixas que avaliei, esta foi a que apresentou o melhor resultado. E não se trata somente de uma apreciação subjetiva, mas de medições que realizei com equipamentos específicos, medindo impedâncias, resposta das frequências, sensibilidade e outras características. Tomei o cuidado até de adquirir alguns instrumentos específicos para isso, que ao final foram necessários para os ajustes finais do projeto, e que serão abordados no final deste artigo.

    Dynaudio Contour e Temptation

    Estas foram as mais fáceis de serem obtidas para os testes, e diversos modelos puderam ser comparados.
    Apesar de saber que o modelo Contour 3.0 já é bem antigo, e está bem defasado tecnologicamente, acabei ficando algum tempo com estas caixas até pela insistência de seu dono, que tinha substituído estas por um modelo da Monitor Audio.
    A atual Contour S 3.4 é uma evolução da linha antiga, mas não acompanha, na minha opinião, as modernas caixas que estão sendo lançadas por inúmeros fabricantes do mercado internacional. A caixa tende para uma neutralidade um pouco sem vida, e essa característica de alguns modelos da Dynaudio tem colocado essa marca atrás de outras que estão se despontando muito rápido no cenário mundial. Mesmo a Monitor Audio, que infelizmente só tive contato mais recentemente, é uma opção melhor e mais acessível em relação aos diversos modelos da Dynaudio.
    A mesma impressão tive com a Confidence C4, que apesar de não ter testado em minha própria sala, pude fazer longas avaliações na casa de um amigo, que também acabou por substituí-las pelas minhas antigas Sophia 2, com muita satisfação.
    O terceiro modelo que utilizei em minhas comparações foi uma novíssima (e pesada!) Temptation. Não foi fácil manipulá-la em minha sala, pois é bastante desajeitada em função de sua altura e peso. Não é uma crítica em relação ao peso, já que as caixas que desenvolvi pesam mais que os 113Kg da Temptation.
    Apesar de já ter sido um modelo muito bem posicionado na lista das melhores do mundo, a impressão é que a Temptation envelheceu. Algumas caixas mais atuais, de linhas até inferiores de alguns fabricantes, apresentam extremos (graves e agudos) mais naturais e precisos.
    Acredito que a Temptation sofre do mesmo mal da Nautilus da B&W. Eram ícones dos fabricantes, mas não tiveram a evolução até dos modelos inferiores de suas linhas.
    Durante os testes, um fato surpreendeu a todos. Tanto a Confidence como a Temptation apresentaram ligeiras variações de sensibilidade e curva de resposta de frequências, entre a coluna direita e a esquerda. Apesarem de serem "seriadas", havia uma nítida diferença entre elas. Lamentável essa falta de cuidado do fabricante.

    Focal JMLab Grande Utopia

    As caixas da Focal sempre me impressionaram muito. São bastante neutras mas muito realistas, e isso mesmo nas linhas inferiores.
    Apesar de ter tentado várias vezes comprar um modelo deste fabricante, coincidentemente algo sempre deu errado e o negócio acabou não sendo concretizado (a distribuição desta marca no Brasil sempre foi muito confusa).
    Estas caixas também não puderam ir para casa, mas ficaram à disposição para testes na casa de um amigo, que me permitiu até abrí-la para conferir seu acabamento interno primoroso.
    Depois da Wilson Sophia, esta caixa foi a que mais me agradou.

    Thiel CS 2.4SE

    Apesar de pouco conhecida no Brasil, a marca Thiel é muito prestigiada no exterior.
    Este não é o modelo "top" do fabricante, mas já mostra as qualidades incríveis desta marca.
    Neutralidade absoluta, graves precisos e agudos suaves e realistas. Ficou em terceiro nas minhas avaliações.

    Outros modelos foram testados, da B&W, Spendor, Dali, etc. Mas, tratavam-se de opções já mais antigas ou que realmente não chegavam perto da qualidade desejada.

    A definição de utilização de um sistema duplo selada/dutada, a decisão de utilizar MDF, o material de revestimento interno, os componentes, a disposição dos falantes e outros aspectos construtivos foram definidos a partir destes modelos, além de outras fontes já citadas.
    Eduardo

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    A escolha dos alto falantes

    Este foi um momento bastante difícil, definir os falantes que seriam utilizados, pois a partir deles evoluiu o projeto da caixa.
    A complexidade desta etapa foi tão grande que, apenas para ilustrar o tamanho da encrenca, durante os 5 anos de desenvolvimento das caixas, 8 dos componentes adquiridos foram descartados (2 médios, 4 tweeters e 2 supertweeters).
    Uma das razões, que passo a comentar agora, pode surpreender muita gente.

    É muito comentado no exterior que pequenos fabricantes conseguem produzir caixas utilizando componentes da Dynaudio, por exemplo, com resultados melhores que a própria Dynaudio.
    Também, outros fabricantes fazem uso de componentes da Focal ou da Vifa com desempenhos superiores a outros fabricantes que utilizam os mesmos componentes. Diferenças de divisor de frequências, gabinete, revestimento interno ou outros de projeto? Não. E aqui vem a grande surpresa... a diferença está justamente nos próprios falantes.

    Por razões de custos, pela ganância de altos lucros que o milionário mercado hi-end oferece, e até por saberem que a maior parte dos "audiófilos" e sistemas não são capazes de identificar pequenas diferenças de qualidade sonora, os fabricantes de caixas e componentes, normalmente, não produzem o melhor que poderiam.
    Alguns pequenos fabricantes, com fábricas minúsculas e custos bem menores, acabam adquirindo do mercado componentes produzidos sob especificações indicadas por eles, com o objetivo de melhorar o desempenho destes componentes.

    A dica de um engenheiro de uma fábrica dinamarquesa de caixas foi a de utilizar componentes da Scan-Speak, empresa de mesma nacionalidade. Ele comentou sobre uma linha especial da série Revelator, fabricada sob encomenda por um fabricante europeu de caixas. Me pediu segredo, mas disse que estes tweeters apresentaram resultados superiores ao de sua própria fábrica, cujos tweeters possuem fama no meio audiófilo pelo nome pomposo.
    Eu já tinha recebido a recomendação de utilizar os tweeters desta séria, tanto que já havia comprado duas peças, mas desconhecia que existia uma série especial, feita sob encomenda, e com uma qualidade muito superior à original.
    Não consegui comprar este modelo no mercado de peças, e tive que encontrar uma outra solução bem "criativa" para isso. Os falantes de médias frequências, os conhecidos "médios", também seguiram na mesma direção. Apesar de já tê-los adquiridos, tive que refazer a compra. Foi quase um ano para achar o "caminho das pedras" e chegar na fonte.
    A informação era verdadeira. Testados nas caixas mencionadas acima, o resultado foi sempre superior. Porém, como tratava-se de um softdome, um tweeter com domo de seda, a comparação mais justa foram naquelas caixas que usavam componente similar. As que usavam tweeters de domo rígido (diamante, alumínio, berílio, etc), tiveram algumas vantagens sobre ele. Mas, no final, o fato era que as caixas que usavam softdome realmente mostraram que "grife" não é tudo.
    São componentes especiais, e não são encontrados no mercado. Infelizmente, não posso revelar a fonte e o fabricante que os utiliza. Mas, mesmo os modelos originais já atendem muito bem um bom projeto.
    Os tweeters de seda superaram os famosos "esotar", com mais naturalidade e uma linearidade realmente impressionante. Mas, o que dizer dos tweeters de domo rígido?
    É sabido que o componente ideal para fabricação de um tweeter é aquele mais rígido e leve possível. O diamante é realmente a matéria-prima mais nobre para esta finalidade. Mas, esqueça a idéia de tentar comprar os tweeters de diamante da B&W . É uma "missão quase impossível".
    Como fazer então para compensar a vantagem dos tweeters de domo rígido sobre este modelo testado já com sucesso? Aqui entram os super tweeters. Estes são componentes com uma resposta muito extensa de agudos, mas do que o ouvido pode captar, porém com uma função importante na composição dos harmônicos inferiores dos sinais de alta frequência.
    As soluções são diversas. Muitos fabricantes preferem utilizar os super tweeters tipo ribbon para esta finalidade. Outros utilizam soluções diferentes, desde domos metálicos até cornetas.
    A Tannoy, a Dali, JBL, Pionner e tantas outras utilizam as mais variadas soluções, apenas para citar algumas marcas mais conhecidas, pois as marcas realmente de nível mais hi-end são bem desconhecidas aqui.
    Minha opção foi por um modelo da Murata, que acabou também sendo substituído por outro de série especial.

    Os "médios", de 5", seguiram um caminho parecido. Os "midranges", como são também conhecidos lá fora, fazem parte também da série "Revelator" da Scan-Speak, também produzidos sob encomenda por um dos mais respeitados (e desconhecidos por aqui) fabricantes de caixas acústicas do mundo, com modelos custando acima de 100 mil dólares no exterior.
    Foram comparados a todos os médios das caixas mencionadas, e superou até os modelos de kevlar da B&W, um material hoje muito utilizado por vários fabricantes pela alta qualidade na reprodução das médias frequências.

    Para os graves, a opção foi de utilizar dois woofers Vifa M26WR09-08 de 10", por conta de algumas características importantes que serão comentadas oportunamente. Trata-se de um fabricante também dinamarquês, que produz ótimos falantes.
    Estes woofers receberam algumas modificações sugeridas por alguns projetistas, e posso afirmar que finalmente extraí de um subwoofer graves de verdade, não aqueles que os fabricantes de caixas acústicas informam em suas especificações.
    Aliás, depois de toda essa aventura pelos mundo dos fabricantes de caixas acústicas, lhes digo: como existem mentiras nesse universo.
    Acabo impressionado como algumas publicações utilizam caixas acústicas com inúmeras limitações como "referência". Por isso acredito cada vez menos em "reviews". Como acreditar neles? Nenhuma das caixas acústicas que mencionei neste artigo poderia ser verdadeiramente referência para qualquer avaliador sério. Um componente de referência está há anos luz do universo que conhecemos. E, talvez, no caso de caixas acústicas, o DIY ainda parece ser a melhor solução.
    Com o respeito que todas as caixas aqui mencionadas merecem, e bastante respeito, diga-se, nada se compara à um projeto sem limites de qualquer tipo que seja.

    Voltando a seleção de nossas caixas, uma dúvida que me surgiu foi: 4 ou 8 ohms? Ora, se a caixa teria que ter como elemento principal a versatilidade para se ajustar a qualquer situação, ela também deveria se prestar a estas duas opções, e foi o que aconteceu, como veremos mais tarde.

    O divisor de frequências, também chamado de "crossover", seguiu a mesma filosofia dos demais componentes: utilizar o que havia de melhor no mundo para esta aplicação.
    O design do crossover foi encomendado nos EUA, para a Madisound, mas sofreu diversas alterações pelos colaboradores deste projeto. Trata-se, também, de um item totalmente "ajustável", como veremos adiante.

    Tudo nesta caixa é ajustável. Tudo se compatibiliza com qualquer sistema ou sala.
    Acho que, além da escolha dos componentes, esta possibilidade de "ajuste fino" foi o que fez destas caixas algo especial, diferenciada de qualquer outro modelo que testei custando milhares de dólares.

    Nas próximas partes deste artigo vamos acompanhar cada etapa da construção destas caixas, com explicações detalhadas e muita informação adicional.
    Iniciaremos pelo gabinete, que foi construído com MDF de 30mm, reforçado e com soluções internas bem interessantes para evitar qualquer ressonância ou interação intrusiva com os falantes, o que alguns costumam chamar de "coloração". Trata-se de um gabinete inerte que, ao contrário de todas as caixas apresentadas aqui, apresentou "zero" de vibração em sua estrutura, o que realmente foi surpreendente.
    Alguns colegas não acreditaram como estas caixas podiam proporcionar graves tão fortes e extensos sem sentir qualquer vibração com suas mãos encostadas nelas. Mas, as leituras de vibração, num quadro que será apresentado mais adiante, mostrarão claramente o resultado obtido.



    Vista Traseira da Caixa.

    Continua...
    Eduardo

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  7. #7
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    Parte III – A Construção do Gabinete I

    Na parte II desta reportagem foram apresentados alguns componentes utilizados nas caixas, mais especificamente os alto-falantes.
    Os demais componentes como cabos, divisor de frequências, conectores, etc, serão apresentados durante o detalhamento da construção das caixas, para melhor identificação.
    Nesta parte, trataremos dos trabalhos para construção do gabinete.
    Apesar de parecer algo simples de se definir, não foi fácil escolher como seria construído o gabinete das caixas.
    Só as pesquisas para identificar tamanho, material e formato das caixas levaram mais de três anos. Somente quando aprofundei a relação com alguns fabricantes consegui obter informações seguras para definir esta etapa do projeto.
    Os fabricantes de caixas "sérias" utilizam vários materiais para construir o gabinete, entre eles o compensado de madeira, o MDF, vidro, compostos diversos, alumínio, etc.
    Depois de muita avaliação sobre estes materiais, acabei me decidindo pelo MDF. Inicialmente iria seguir a recomendação de um projetista que me sugeriu um sandwich de MDF e compensado. Mas, acabei descobrindo ser mais vantajoso a utilização de um MDF bem espesso, um bom travamento interno e um revestimento bem elaborado. O resultado final seria melhor.
    Era importante que a caixa fosse bem rígida, evitando qualquer ressonância durante o uso. Isso é essencial numa caixa acústica, apesar de ter me assustado com a forma que algumas caixas ditas "hi-end" apresentaram forte ressonância durante os testes que fiz com os modelos que tive disponível.
    Para garantir essa rigidez, os fabricantes utilizam materiais espessos ou diversos travamentos internos nas caixas. Descobri que a soma das duas condições era muito mais efetiva, além de outras providência que veremos adiante. Importante afirmar que nenhum fabricante utiliza todas as soluções que apliquei nestas caixas, limitando-se a uma ou duas, por razões de custo e até pela dificuldade da maioria dos usuários em perceber alguns problemas advindos do gabinete.
    Sendo assim, a primeira decisão foi de utilizar o MDF de 30 mm em todas as paredes do gabinete, com o dobro da espessura na base.
    A caixa foi dividida em duas partes, o módulo de graves inferior e o módulo de médios e agudos superior. Alguns fabricantes adotam esse formato, o que encarece a caixa, mas apresenta um resultado bem melhor. Mostraremos aqui como foi construído e juntado os dois módulos, que exigiram mais de 500 folhas de desenhos e detalhes, e muitas noites de cálculos.
    Depois de muita pesquisa, foi escolhido o MDF cru da Duratex, por sua superioridade sobre outras marcas. Foram necessárias duas chapas, cada uma pesando perto de 115 kg. Por aqui já é possível imaginar o peso das caixas. Claro que restaram sobras e recortes, mas depois de pronto o gabinete é impossível movimentá-lo sozinho.
    As chapas receberam os primeiros cortes na loja, em equipamento de corte de alta precisão. Isso é muito importante, pois apesar de ter uma oficina bem equipada, cortar estas chapas não é tarefa muito fácil, e a precisão dos cortes pode acabar sendo afetada. Posteriormente executei os cortes em ângulos e outros recortes específicos.
    A primeira coisa que providenciei foi a construção de uma bancada baixa para manusear as caixas numa altura de trabalho adequada, e também garantir o perfeito nivelamento da superfície de trabalho, algo muito importante para a precisão da montagem. Pode parecer bobagem, mas cuidados como esses podem fazer toda a diferença entre uma caixa bem construída e outra que demandará horas de reparos que muitas vezes não salvam as caixas de ficarem deformadas.


    Abaixo, podemos ver parte das peças de MDF recortadas prontas para uso. Sob de uma das bancadas está o Prejú, grande companheiro que acompanhou os trabalhos, e um dos melhores amigos que já tive, infelizmente recém falecido.


    Todos os pontos de junção de chapas foram lixados para aumentar a porosidade da chapa e melhorar a aderência da cola (PVA Cascorex). Mais adiante veremos que, mesmo com esse cuidado, todas as junções receberam parafusos de fixação e sarrafos de reforço. Esse aparente "exagero" é importante, pois garante maior rigidez das caixas e evita que apareçam aberturas nas junções, uma reclamação comum de muitos proprietários de antigas caixas Dynaudio.
    Na foto abaixo podemos ver uma caixa com uma das laterais já colada. Aqui é possível notar os parafusos de reforço, que além de evitar as aberturas já citadas acima garante maior fixação das peças e ajuda na pressão de colagem. Um detalhe: existe um cuidado muito grande para colocar parafusos nas faces de borda do MDF, além de ser necessário a utilização de parafusos específicos para MDF. A não observância destes cuidados fará com que o MDF "estoure", danificando-o. Outra providência importante: todos os parafusos devem receber cola ao longo do seu corpo. Novamente, nenhum fabricante de caixas acústicas observa vários destes cuidados.

    Nesta foto é possível observar que as próprias peças restantes de MDF foram usadas para aumentar também a pressão da colagem. E acredite, não achei nada mais pesado do que isso...
    Na foto abaixo podemos ver um gabinete semi-montado, já com uma das laterais coladas, frente, traseira e as peças internas montadas. Na ordem, primeiro montaram-se as partes externas, divisória central e peças internas de reforço, depois uma lateral. Note que aqui temos duas divisórias totalmente independentes para cada um dos falantes de graves. Observe também que não há paralelismo na divisória central, um detalhe importante.
    Os reforços internos receberam aberturas para comunicar a parte da frente da caixa com a traseira. Esta furação, realizada manualmente, foi estudada para, junto com o posicionamento propositalmente desalinhado das peças, novamente minimizar o efeito do paralelismo interno, o que prejudica a qualidade sonora.
    Observe também os parafusos de reforço, sempre presentes.


    Mais uma vez, se você se interessou por este artigo, é importante voltar a revê-lo periodicamente, pois são muitos detalhes que serão complementados conforme vou me lembrando deles.
    Abaixo, a cola aplicada antes da colocação da lateral.


    Abaixo, detalhe dos reforços centrais. Eles têm duas finalidades, evitar qualquer ressonância nas laterais e "quebrar" o paralelismo interno da caixa, como veremos adiante.

    Abaixo as duas caixas já bem adiantadas, numa foto feita já num final de tarde. Repare que os sarrafos de reforço já estão instalados, e serão vistos em detalhes em seguida.

    Eduardo

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  8. #8
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    Para aumentar a resistência das junções e eliminar eventuais ressonâncias, peças de sarrafo foram cuidadosamente aparafusadas e coladas nas junções.
    As fotos abaixo ilustram melhor este trabalho.





    Abaixo podemos ver os reforços já com uma das aberturas traseiras, com parafusos superdimensionados.
    A abertura traseira foi feita nas duas divisões da caixa, e tem como objetivo facilitar o acesso ao seu interior pela traseira da caixa, além de permitir alteração simples de seu volume interno, o que aumenta a flexibilidade do projeto.







    Na foto acima já é possível ver as aberturas dos falantes na face frontal.


    Face traseira com as aberturas de acesso.


    Outro detalhe da abertura traseira e seus parafusos de fixação. Os parafusos receberam porcas a arruelas de pressão para fixação.
    Posteriormente os rebaixos das porcas foram fechados com massa. Bastante cuidado, apesar de não haver esforço neste sentido no fechamento da tampa traseira.
    O "amigo" Pepe faz uma inspeção geral e aprova os trabalhos.
    Aqui começa uma etapa importante. Depois de conversar com inúmeros projetistas, veio uma dica importante, a aplicação de tinta emborrachada em todo o interior da caixa.
    Existem várias tintas de emborrachamento no mercado, muitas na verdade não tem nenhuma elasticidade, o que seria o ideal. A tinta deve ter características de leve elasticidade, e ser aplicada em camadas super generosas, com um acabamento final bem espesso.
    Esse cuidado contribuirá para reduzir ainda mais as ressonâncias do gabinete. Para se ter uma idéia, estes e outros cuidados que veremos adiante tornaram o gabinete tão inerte ao ponto de, quando batermos com os dedos na caixa, não ouvirmos nada senão o próprio ruído do contato dos dedos. A caixa se tornou completamente rígida e inerte.
    Segundo os fabricantes, isso apresenta benefícios enormes, mas não é executado na prática por conta do custo e da demora no processo de fabricação da caixa. Ou seja, o negócio é ganhar muito e rápido.
    Eduardo

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  9. #9
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    Abaixo, vemos o início do processo de fechamento dos vãos e emborrachamento interno da caixa. A cola, os sarrafos e o emborrachamento garantem a total inexistência de qualquer fresta de fuga de ar, caso a caixa seja utilizada na opção selada.




    O interior já com algumas demãos de tinta emborrachada.


    Perceba a espessa camada que vai se formando com as várias demãos de tinta emborrachada (14 no total).



    Na foto abaixo vemos as caixas já com a outra lateral colada, aparafusada, sarrafeada, emborrachada e com a parte superior montada.
    Note que na parte superior será montada a caixa de médios e agudos, e internamente receberá o divisor de frequências, totalmente isolado do interior do gabinete e de seus alto-falantes. Isso é muito importante e, novamente, poucos fabricantes se importam com esse detalhe, chegando até mesmo a usar componentes plásticos em aberturas feitas na caixa para instalação dos bornes de ligação. Neste caso, os bornes também ficaram externos. Nenhum componente plástico ou qualquer outro dispositivo foi instalado no interior da caixa.







    Espaço para instalação do divisor de frequências e aberturas para ventilação.

    Ao final, todas as bordas frontais das caixas foram arredondadas com uma tupia elétrica manual, para dar o acabamento final.

    Na próxima parte veremos a montagem das caixas superiores, dos médios e agudos.
    Eduardo

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  10. #10
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    Parte IV – A Construção do Gabinete II

    Depois de apresentada a montagem das caixas de graves que irão compor as caixas acústicas, agora é a vez das caixas de médios e agudos.
    A seguir, os detalhes da construção destas partes.

    É muito importante que os alto-falantes de médios e agudos (tweeters) fiquem isolados do gabinete principal. Todos os fabricantes que consultei foram unânimes em afirmar isso, mesmo aqueles que não utilizam este recurso por razões de custo e facilidades construtivas. Dentre os fabricantes que fazem uso deste recurso em suas melhores caixas estão: Wilson Audio, B&W (com um aprimorado sistema esférico), Focal (com módulos reguláveis), YG Acoustics, Viena Acoustics, Acoustic Zen, Vandersteen e Eficion, entre outros.
    A disposição dos falantes foi também bastante discutida com os projetistas consultados. Há um consenso de que a disposição tradicional (falantes de graves, médios e agudos na sequência de baixo para cima) ainda proporciona o melhor equilíbrio na formação do palco sonoro. Um dos projetistas me comentou que em sua fábrica chegou-se a fabricar caixas com uma disposição invertida, mas os resultados não foram satisfatórios, tornando a formação do palco sonoro muito irreal. Isso tem a ver, segundo eles, com a posição das caixas, do ouvinte e de condições acústicas, que favorecem muito a disposição tradicional.

    Voltando à parte construtiva de nossas caixinhas superiores, foi mantido o MDF de 30 mm para as paredes externas, um exagero que se mostrou bastante compensador. Minha intenção era usar nesta etapa MDF de 20 mm, mas me aconselharam a usar o mais espesso, para proporcionar melhor rigidez estrutural. O compartimento do tweeter é isolado do médio, também por razões de melhor desempenho pela menor interferência possível entre as unidades. Somente aqui, nesta divisória, foi utilizado um MDF um pouco menos espesso, por não se tratar de uma necessidade estrutural.
    Esta parte foi bastante trabalhosa, pois exigiu recortes difíceis e precisos para garantir a qualidade de acabamento.
    Me perguntaram outro dia se é preciso tanta "frescura" para se construir uma caixa acústica de qualidade. Bem, isso depende do nível de qualidade desejado. Acho que se você se propõe a fazer o melhor, deve usar o melhor e da melhor maneira possível. Na construção destas caixas adotei a filosofia de não impor limites, fosse de material, componentes, recursos, design, etc, absolutamente nada. Foi gasto muito tempo, às vezes com pequenos detalhes, mas o resultado final me fez ver (e ouvir) que valeu a pena.
    Estas caixas ficaram um nível acima das melhores caixas que testei, e não é possível admitir, mesmo custando muitas dezenas de dólares, que os fabricantes não adotem os mesmos cuidados para oferecer algo melhor à um mercado bastante exigente. Segundo os projetistas, os fabricantes impõem limites de custo, e isso prejudica o projeto. Alguns chegam a utilizar tecnologias realmente inacreditáveis, para, por exemplo, fabricar um tweeter de diamante. Mas, sempre há algo que pode ser melhorado, porém, comercialmente existem algumas barreiras. Todos os projetistas foram unânimes em afirmar que nada supera uma caixa DIY, desde que construída com os devidos cuidados. A maioria deles possui caixas das fábricas onde trabalham, até por razões profissionais (avaliação contínua de resultados), mas muitos deram um "jeitinho" para ter modelos "preparados", que nunca serão fabricados pelas razões comerciais já citadas.

    Abaixo, vemos as peças de MDF já recortadas e soltas sobre uma das laterais, para os ajustes finos.




    Abaixo podemos ver os painéis frontais já com a abertura para o falante de médios. O ângulo interno do furo foi necessário para melhorar a dispersão lateral do falante.
    Estas peças tiveram a vantagem de serem mais leves para manusear, em função do tamanho das partes envolvidas, mas os detalhes construtivos foram bastante trabalhosos por conta da precisão e dos recortes necessários.


    Um detalhe: a diferença de planos no painel frontal é para garantir o perfeito alinhamento dos falantes, para ajuste correto de fase, outro detalhe muito importante e novamente ignorado por muitos fabricantes.
    Abaixo, fotos das peças já aparafusadas e coladas em secagem.


    Eduardo

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