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Tópico: Esse tal cenário musical brasileiro

  1. #1

    Esse tal cenário musical brasileiro

    Olá, meus caros colegas!

    Sinto muito pela ausência. Queria estar podendo participar mais do fórum, mas infelizmente a situação da economia está me forçando a deixar um pouco de lado os pensamentos e participações no mundo do som. Mas não abandono de jeito nenhum a música, que me fortalece. De qq maneira, sempre passo para ler o que estão falando, e sempre me enriquece ler seus pensamentos e opiniões.

    Nesse tópico queria abrir um papo a respeito do cenário musical brasileiro atual. E foi meio por acaso. Estou eu aqui, agora, vendo tristemente o The Voice Brasil.

    Há algumas semanas atrás conheci um grande técnico de som, amigo do meu cumpadre, e esse camarada até já teve estúdio de gravação com o grande César Camargo Mariano. Perguntei pra ele: "o que acontece de bom na música brasileira?". Ele respondeu: "Nada." Fiquei muito triste. Pedi explicação. Ele disse:

    "Hoje o lance é ganhar dinheiro, e não fazer o que é bom ou sensacional. Pra ganhar dinheiro, tem que fazer frente à concorrência. Sem fazer julgamento de valor, quem está acabando com a música é o sertanejo e o funk. Ganha quem toca mais alto na rádio, pra fixar na cabeça. Esses dois gêneros vêm há algum tempo adotando uma política de compressão na masterização para que cada álbum tenha mais volume que o outro, sacrificando gravemente a qualidade e definição do conjunto musical. E o pior é que os estilos chamados de "bom gosto" começam adotar o mesmo princípio para poder competir. Rock? Sem atitude. MPB? Bobo, se rendendo ao que grita. Jazz? Isolados e sem grana. E comprimindo o som. O que resta é gritar."

    E, voltando ao The Voice Brasil, o que me deu desespero é que TODOS apelam para GRITAR. Sempre em algum momento alguém eleva o volume da garganta, berra. Vi a mesma coisa em TODOS os artistas brasileiros no Rock in Rio. Gritar é a política - desafinar é consequência. Volume é o que manda. E os estrangeiros? Nada disso. Altíssimo profissionalismo, sem berrar, sem desafinar, banda em cima.

    Vivemos um período triste. A moda. Lembrando a matemática: "moda é o valor que detém o maior número de observações, ou seja, o valor que ocorre com maior frequência num conjunto de dados, isto é, o valor mais comum". Moda é o que mais se repete. É o meio. É o mainstream. Como leigo, entendo que a mediana é a maior representante da moda. E mediana é médio. E médio, pra mim, é medíocre.

    E daí bateu a tristeza... Cadê a música brasileira?

    Abraços a todos,

    Leo.

  2. #2
    Vou deixar minha opinião "curta e grossa":
    Se a partir de hoje eu fosse obrigado a ouvir só as "musicas atuais" principalmente SU e Funk, eu jogo meu sistema fora!

  3. #3
    Musica brasileira para mim: Villa lobos.
    Ainda vou conhecer o trabalho do Carlos Gomes.

    Musica pode ser entretenimento, mas nem todo entretenimento musical é música..se é que me entende.

    Enviado de meu ASUS_T00J usando Tapatalk
    Como fazer uma busca eficiente no fórum sobre um tema que você tem interesse: http://www.clubehiend.com.br/forum/s...ll=1#post67474

  4. #4
    Eu já tive essa tristeza também.
    Tentei, inclusive, escutar funk e tentar entender o que faz com que eles tenham tanto sucesso....Não compreendi.

    Então um dia eu pensei: Isso não me diz respeito. Funk, esse novo sertanejo não me diz respeito. Não é nem questão de tentar entender ou discutir se é bom ou ruim, como é gravado, como são as letras. Eu simplesmente ignoro completamente da minha vida. Pronto. Não vale a pena perder tempo com coisas que não te acrescentarão nada.

    Tem muita coisa boa sendo feita por muitos músicos independentes no Brasil. Que conseguem gravar lindos discos levantando dinheiro em sites de financiamento coletivo e estão tocando o barco.

    Alguns exemplos de música de extrema qualidade (artística e tecnicamente) sendo feita hoje no Brasil:
    Trio Bolerinho - https://www.youtube.com/watch?v=a3kyaPyZZng
    Quarteto Solto - https://soundcloud.com/quartetosolto
    Rafael Abdalla - https://www.youtube.com/watch?v=2UyboqQxP9Y
    Zé Luiz Martins Trio - https://www.youtube.com/watch?v=etxewLC-igQ
    Dani e Debora Gurgel Quarteto - https://www.youtube.com/watch?v=N1Ix8t7EpJc

    Fora os mais estabelecidos:
    Trio Corrente
    André Mehmari
    Hamilton de Holanda
    Monica Salmaso
    Guinga
    Vento em Madeira

    Tem muita coisa boa por aí, Leo.
    Deixa de esquentar a cabeça com coisa ruim e vá ouvir e apoiar a música brasileira de qualidade

    Abraços,

  5. #5
    Membro Avatar de luiz carlos
    Data de Ingresso
    Aug 2012
    Localização
    são bernardo do campo
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    Citação Enviado originalmente por danielbeim Ver Mensagem
    Eu já tive essa tristeza também.
    Tentei, inclusive, escutar funk e tentar entender o que faz com que eles tenham tanto sucesso....Não compreendi.

    Então um dia eu pensei: Isso não me diz respeito. Funk, esse novo sertanejo não me diz respeito. Não é nem questão de tentar entender ou discutir se é bom ou ruim, como é gravado, como são as letras. Eu simplesmente ignoro completamente da minha vida. Pronto. Não vale a pena perder tempo com coisas que não te acrescentarão nada.

    Tem muita coisa boa sendo feita por muitos músicos independentes no Brasil. Que conseguem gravar lindos discos levantando dinheiro em sites de financiamento coletivo e estão tocando o barco.

    Alguns exemplos de música de extrema qualidade (artística e tecnicamente) sendo feita hoje no Brasil:
    Trio Bolerinho - https://www.youtube.com/watch?v=a3kyaPyZZng
    Quarteto Solto - https://soundcloud.com/quartetosolto
    Rafael Abdalla - https://www.youtube.com/watch?v=2UyboqQxP9Y
    Zé Luiz Martins Trio - https://www.youtube.com/watch?v=etxewLC-igQ
    Dani e Debora Gurgel Quarteto - https://www.youtube.com/watch?v=N1Ix8t7EpJc

    Fora os mais estabelecidos:
    Trio Corrente
    André Mehmari
    Hamilton de Holanda
    Monica Salmaso
    Guinga
    Vento em Madeira

    Tem muita coisa boa por aí, Leo.
    Deixa de esquentar a cabeça com coisa ruim e vá ouvir e apoiar a música brasileira de qualidade

    Abraços,
    Daniel, boa tarde. Seguindo sua sugestão, entrei no primeiro link, com o Trio Bolerinho, que eu não conheço. Começaram os primeiros acordes e a flauta começou a tocar "Valsinha", que foi composta por Vinícius de Moraes (música) com letra do Chico Buarque. Muito bem executada, mas cadê a nova música brasileira, a atual música brasileira? Estamos simplesmente ouvindo as mesmas músicas das décadas anvteriores (e Valsinha é da década de 70) executadas por músicos de grande gabarito, como Hamílton de Holanda, André Mehamari, Mônica Salmaso, etc. Parece que a inspiração acabou ou, se não acabou, há apenas lampejos aqui ou ali. Não há músicas novas que nos levem a um estado de espanto e de admiração. Parece-me que desligaram a conexão entre os compositores e o éter, porque nada aparece de bom (letra de João Nogueira em "Poder da Criação"). Não é a falta de intérpretes e sim a falta de composições novas e boas.

  6. #6
    Boa tarde Luiz Carlos,

    Entendo o que quer dizer. Mas, com exceção do Trio Bolerinho e da Monica Salmaso, os demais artistas todos são compositores, além de grandes músicos e intérpretes.

    No caso da música instrumental mais focada no jazz, o que eu tenho visto é que os novos artistas estão fazendo uma música trazendo ritmos ou uma influência de seus países para a linguagem jazz, mas acaba sendo uma música sem uma característica muito forte regional. E isso não é somente esses novos artistas de jazz brasileiro, mas no mundo todo.
    Basta ouvir os jazzistas israelenses, como Avishai Cohen ou Shai Maestro, que fazem jazz misturado com música oriental.

    Penso que com o acesso à informação que temos hoje em dia com a internet, de fato, será cada vez mais raro ver uma música totalmente regional, de cada país, sendo feita. Hoje as influências são mundiais e acho que a música tende a seguir esse rumo. Obviamente que a cultura de cada país sempre existirá, mas de alguma maneira, ela será misturada com várias outras influências do mundo todo. Penso, então, que daqui um tempo será mais difícil dizer "onde está a música brasileira?". Ela estará misturada na música mundial.


    De qualquer maneira, eu ainda acho que temos excelentes composições no Brasil, mas não são músicas com tanta "cara" de música brasileira como foi a Bossa Nova ou o samba, por exemplo.

    Algumas composições desses artistas que, na minha opinião, não devem nada aos músicos antigos brasileiros:
    https://www.youtube.com/watch?v=AtisClSQZlU
    https://soundcloud.com/rafael-abdall...lsa-para-livia

    Entre tantos outros...

  7. #7
    Claro que tem muita gente boa, muito músico bom. Mas isso não é o mainstream, não é o que chega na TV.

    Por exemplo, tem o quase recente álbum fantástico do Sylvio Fraga. Lindo. Muito bem composto/executado/gravado/produzido. Chega em algum lugar? Trio Corrente: sensacional! Vi eles com Mike Stern, espetacular! Chega em algum lugar?

    Mas o que me incomoda não é o alcance, é a péssima qualidade musical e sonora do que está saindo. Exemplo: deixando gosto e julgamento de valor de lado, o 1o album do Jota Quest é sensacional, com uma proposta muito bem definida, foi bem executado e ficou daquele jeito porque tinha espírito. Fui ouvir o último álbum que saiu agora: com exceção de só 1 canção, o resto todo está com volume alto, tudo misturado, nada no lugar, parece uma festa com muito barulho misturado vindo de tudo quanto é lado. O álbum anterior foi assim tb. E o outro tb. E o outro tb. E na verdade todos estão assim.

    Titãs lançou o Nhengaatu. Volta ao Cabeça. Titãs rock pesado. Volume alto demais, muita mistura, muita coisa embolada.

    No mainstream tudo está em excesso - que faz perder musicalidade e sonoridade, além do prazer de ouvir.

    Não importando se eu gosto ou não dos nomes (mas sim com a admiração de que fizeram muito boa música para o povo cantar), e parafraseando Lenine, que venham lá de exú mais Elis Reginas, Gonzagas, Gonzaguinhas, Cazuzas, Cássia Ellers, etc.

  8. #8
    Membro Avatar de luiz carlos
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    Citação Enviado originalmente por danielbeim Ver Mensagem
    Boa tarde Luiz Carlos,

    Entendo o que quer dizer. Mas, com exceção do Trio Bolerinho e da Monica Salmaso, os demais artistas todos são compositores, além de grandes músicos e intérpretes.

    No caso da música instrumental mais focada no jazz, o que eu tenho visto é que os novos artistas estão fazendo uma música trazendo ritmos ou uma influência de seus países para a linguagem jazz, mas acaba sendo uma música sem uma característica muito forte regional. E isso não é somente esses novos artistas de jazz brasileiro, mas no mundo todo.
    Basta ouvir os jazzistas israelenses, como Avishai Cohen ou Shai Maestro, que fazem jazz misturado com música oriental.

    Penso que com o acesso à informação que temos hoje em dia com a internet, de fato, será cada vez mais raro ver uma música totalmente regional, de cada país, sendo feita. Hoje as influências são mundiais e acho que a música tende a seguir esse rumo. Obviamente que a cultura de cada país sempre existirá, mas de alguma maneira, ela será misturada com várias outras influências do mundo todo. Penso, então, que daqui um tempo será mais difícil dizer "onde está a música brasileira?". Ela estará misturada na música mundial.


    De qualquer maneira, eu ainda acho que temos excelentes composições no Brasil, mas não são músicas com tanta "cara" de música brasileira como foi a Bossa Nova ou o samba, por exemplo.

    Algumas composições desses artistas que, na minha opinião, não devem nada aos músicos antigos brasileiros:
    https://www.youtube.com/watch?v=AtisClSQZlU
    https://soundcloud.com/rafael-abdall...lsa-para-livia

    Entre tantos outros...
    Daniel, boa tarde novamente. Concordo com o que você escreveu. A tendência é a de a música se universalizar, não tendo mais os espíritos regionais. Vou aproveitar as dicas de vocês para conhecer esses cantores e compositores que você e o Leonardo apresentaram.
    Quanto ao momento atual e com o The Voice Brasil, que assisto às vezes, o que vejo é só gritaria e, o que é pior, há músicas que, se não aparecesse a legenda com o nome do compositor ou do cantor, não saberíamos o que o "cara" está cantando. E parece que o Brasil fala inglês, porque poucos cantam em nosso idioma.
    Sem falar na incompetência de Cláudia Leite e companhia, monitorados por ninguém menos que o Laifert, que atira pra todo lado.
    Estamos realmente reféns do que a nossa tv e nossas rádios nos jogam goela abaixo. Ainda bem que existe a internet e suas rádios, das quais podemos ouvir músicas de muito melhor qualidade.

  9. #9
    O problema do cenário musical brasileiro é, em 1o. lugar, o monopolio dos menios de comunicação, e em 2o. lugar, a concentração de poder empreendedor.
    Vamos lá:
    Não temos aqui uma variedade interessante de rádios. Porque? Pois as concessões de rádios estão todas nas mãos de meia dúzia de politicos safados. Logo, falta rádio universitária, falta rádio alternativa, falta rádio experimental...
    Nos estados unidos, todas as novas "ondas" musicais, geralmente começam nas rádios alternativas, para formarem um público "alternativo" e alguns anos depois virarem "mainstream". Este é o ciclo natural das novidades musicais.
    Só para ter uma idéia de como poderia ser diferente aqui no Brasil, caso a distribuição de concesões fossem muito mais popular, e permitisse a existência de uma verdadeira variedade de rádios/propostas... Vida e história de rádio Fluminense. Uma estação de rádio pequena, de Niterói, dos anos 80, que justamente por ser "alternativa" foi a primeira a tocar as fitas demos das novas bandinhas locais (Paralamas, Barão Vermelho...)... O resultado foi que em pouco tempo toda a juventude carioca estava sintonizada na rádio Fluminense, logo as majors foram obrigadas a tocar rock nacional também. E assim nasceu uma cena, quase que um estilo musical, que dura até hoje.
    Outra característca que torna nossa cena musical bem diferente da esfervecência Inglesa e Americana, é a dificuldade que jovens empresários tem, aqui no Brasil, para abrir um lugar de música alternativa, realizar um Festival, ou mesmo um concerto. Tudo aqui tem 60% de imposto, desde cabos, instrumentos, computadores, e qualquer ferramenta que se usa em uma produtora musical, até o próprio contrato de show com artistas internacionais. O que dizer então de equipamentos de palco, e tecnologia para tal... Resumindo, só realiza evento no Brasil, grandes grupos economicos, já estabilizados. Logo, só vão existir eventos marketeiros, sem musicalidade, sem concertos que realmente façam sentido para as pessoas, sem transformar , sem criar novas possiblidades.
    Claro que existe alguns empresários que acreditam na boa música, autoral, local, que investem nesta, e colhem os frutos, realizam projetos que são apreciados, e duradouros... Mas no geral é isso: meios de comunicação e produção extremamente monopolizados por uma oligarquia, o povo não tem voz, não tem arte, e o como "grito" social vemos este tipo de arte "freak show" do tipo funk carioca, e etc, que é isso mesmo , um grito por atenção de um povo que sofre com esse vazio artístico, e incapacidade de criação.

  10. #10
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    Boas dicas Daniel. Duas ali eu não conhecia. Exite muita música interessante o problema é que para chegar a elas é necessário um trabalho quase de garimpo. Salvo raríssimos quadros em pouquissímos programas da televisão aberta não se tem a menor informação deste "lado escuro da música". Muita coisa nova que conheci foi simplesmente indo atras das programações dos "Sesc". Alguns amigos me dizem que estas músicas são muito elaboradas e que o povo quer algo fácil para cantar. Sem querer entrar no mérito da questão temos alternativas pra isto que também não aparecem, Marcelo Jeneci por exemplo. Aparentemente a saída encontrada neste mar de alternativas foi a lapidação do mega evento, com mega barulhos, mega efeitos visuais, etc... e isto acontece da nossa mpb passando pelo rock, música erudita e tudo mais. Só esqueceram que música pode ser também " um pega pra capar, questão de sentimento - o afogado em pleno mar que agarra o vento e ri,
    usa o sofrimento para flutuar...(como já perfeitamente descreveu o Guinga).

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