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Tópico: Pesquisa - painéis acústicos

  1. #81
    Cláudio,

    Não é só a resistência que interfere no sinal de um cabo. Grande engano. Resistência na verdade não tem a menor importância aqui. Em função do comprimento de um cabo de interconexão ou de caixas, até um cabo elétrico de qualidade mediana vai apresentar uma resistividade muito insignificante para representar qualquer perda.
    Além disso, não é a resistência que define um bom cabo. Pelo contrário, a resistência poderia, no máximo, e se fosse significativa, atenuar o sinal, mas nem isso ocorre já que ela é muito baixa.
    Características como a indutância e a capacitância de um cabo são muito mais importantes e normalmente desprezadas, e são estas na verdade que impõem a assinatura sônica de um cabo ao interferir na banda passante do mesmo.

    Saiba que não é preciso qualquer caixinha misteriosa no cabo para se conseguir interferir na banda passante do cabo e provocar alterações no sinal. A capacitância e a indutância do cabo conseguem promover interações capazes de modificar o sinal.
    Por essa razão os audiófilos que não possuem conhecimento e formação na área eletrônica se enganam tão fácil acreditando que cabos são mágicos, e através de "características misteriosas" atuam como equalizadores ou, pior do que isso, acreditam que eles melhoram o sinal.
    Por isso o melhor cabo é aquele em que estes valores de indutância e capacitância ficam bem distantes da capacidade de interferir nas frequências de áudio (vide a construção dos cabos de interconexão da DNM - aquele distanciamento dos condutores não está ali por acaso).
    Para a nossa sorte, um cabinho barato, usando conectores de qualidade normal, nada esotérico ou empregando materiais especiais é capaz de oferecer uma condução plenamente adequada ao sinal.
    Mas, os fabricantes enfeitam muito. Alegam que usam conectores com materiais nobres, fios de cobre 99,9999999999999999% puro e outras bobagens.

    A diferença entre a conexão de um cabo feito com terminal banhado de ouro, ou de ouro maciço ou qualquer outro material "especial" (sempre caro), para um de cobre é nula. Ambos são capazes de promover a condução do sinal com toda a perfeição do mundo. Mas, os fabricantes de cabos, para fortalecerem a idéia de que um cabo econômico não presta (por intenções bem óbvias), inventam histórias do tipo que o ouro, a prata ou outros metais apresentam menor resistividade, ou resistência, como costumam erroneamente chamar. Acredite, um ou dois centímetros de conexão possui resistência desprezível para o sinal, praticamente zero.
    A única diferença entre um condutor e outro residirá no fato de que alguns materiais oxidam mais rapidamente do que o outro, e isso implica em realizar uma manutenção periódica mais ou menos frequente.
    Considerando que o fabricante sempre valoriza o seu cabo e esconde o fato de que os conectores dos equipamentos são normalmente bem comuns, uma revisão que abrange limpeza e polimento dos conectores é uma providência bastante recomendável a cada 6 meses. A maioria das trocas de cabos e das impressões de melhorias no som que eles causam reside justamente nesta falta de manutenção.
    Para prolongar a limpeza, pode-se usar uma cera automotiva nos conectores, de preferência com carnaúba, que cria uma proteção duradoura e pode aumentar o tempo de limpeza para até um ano, já que o ambiente de instalação dos equipamentos normalmente não costuma ser agressivo (altas temperaturas, exposição ao sol, excesso de umidade, etc...).

    Mas, como é muito fácil ganhar dinheiro construindo cabos com características "misteriosas" e "segredos guardados a sete chaves", como costumava dizer um editor de uma revista tupiniquim que faturava muito com anunciantes de ilusão, virou moda o surgimento de inúmeras marcas de cabos. Enquanto temos alguns poucos fabricantes de players universais de boa qualidade, como vimos aqui em outra discussão, li em um artigo da Absolute Sound que já existem mais de 1.000 fabricantes de cabos de áudio espalhados pelo mundo, cada qual vendendo o seu peixe com os mais absurdos argumentos. A maioria sem qualquer formação em eletrônica ou equipamentos adequados para uma avaliação correta do que oferece.
    Eu cansei aqui de utilizar osciloscópios, geradores de sinais, condutímetros, analisadores de espectro e uma infinidade de outros equipamentos para identificar diferenças nestes cabos, e afirmo com convicção e conhecimento exato que 99,9% não passam de argumentos fake, e desafio qualquer um a me provar o contrário, mas que pelo menos tenha alguma formação que realmente justifique os seus argumentos. Se identificarmos estas diferenças em meus equipamentos, eu peço desculpas e nunca mais toco neste assunto.
    E não adianta dizer, como dizia o editor, que estas diferenças são subjetivas e que não somos capazes de medir. Somos sim, e com muita precisão. Basta lembrar que o som que ouvimos é resultado de um sinal elétrico modulado em frequência e amplitude, o que justamente modifica o som que ouvimos, e isso pode sim ser medido com muita facilidade.
    Hoje eu afirmo com toda a convicção que mesmo um cabo barato pode conduzir muito bem o sinal elétrico, e que nossos maiores problemas não estão nos cabos. Aliás, estão bem longe deles.

    Apóio a sua vontade em querer fazer cabos, mas recomendo um bom estudo das características que mencionei, pois a resistividade do condutor é com o que menos você deve se preocupar. Uma boa formação em eletrônica, investimentos em equipamentos de precisão para análise elétrica e um bom treinamento para operá-los também vai ajudá-lo a "enxergar" com precisão o que acontece de fato com o sinal elétrico, afastando a subjetividade da realidade.
    Mas, isso é assunto para outra oportunidade, e eu teria que encher páginas e mais páginas de abordagens técnicas, fórmulas e cálculos, e nem sei se eu conseguiria colocar aqui 40 anos de estudos e experiências na área eletrônica.
    Mas, por outro lado, posso dar algumas receitinhas de cabos de fácil construção e baixo custo, capazes de colocar muitos cabos caros de renome em situação bem delicada.

    Cristiano, desculpe pela argumentação off topic. Depois vou migrar estes posts sobre cabos para o subfórum mais adequado.
    Mas, você está certo. As opções que você tem escolhido vão te trazer muito mais benefícios do que investir em cabos "mágicos".
    Se quiser, te envio algumas fotos de como tratei a minha sala nova, com a experiência que tive com a minha sala anterior. Foi resultado de muitas pesquisas.
    Muitos falam que painéis absorvedores matam muito a sala. Esta é outra bobagem que se firmou em nosso hobby pelo desconhecimento técnico dos que proferem estas "verdades".

    Os painéis absorvedores vão absorver as ondas refletidas, no máximo reduzindo um pouco a intensidade sonora. Isso ocorre porque as ondas que vão ser refletidas nas paredes são parte das ondas sonoras originais, só que pioradas. A maioria dos alto-falantes e tweeters possuem uma posição de montagem que favorece a melhor reprodução do som, e é justamente neste alinhamento que devemos estar posicionados.
    Eu utilizo um equipamento de análise acústica profissional, importado, e com ele consigo "enxergar" facilmente como o som fora do eixo ideal se deteriora. Portanto, ao eliminarmos esse som refletido do ambiente, diminuímos um pouco a energia sonora, o que pode ser facilmente compensado com o controle proporcional do volume no amplificador. Mas, acabamos com a falsa ambiência induzida pela sala, e isso pode provocar no ouvinte menos informado uma sensação de som mais "morto", justamente pela retirada desta coloração destrutiva.
    Se para alguns o som fica mais agradável do primeiro jeito, é com a eliminação destas interferências que temos o som mais puro tal qual ele foi gravado.
    O engenheiro de gravação inclui no som o efeito de "ambiência" mais correto para a necessidade, ou, em uma gravação ao vivo, a ambiência já é registrada pelos microfones. Não há qualquer necessidade de agregarmos as interferências de nossas salas.
    A distribuição do som na formação do palco sonoro também pode sofrer interferências de nossa sala, o que também é indesejável por provocar aberrações na largura e disposição horizontal do palco sonoro (não vou falar em altura pois isso não existe, trata-se de outra bobagem que inventaram em nosso meio).
    O mais importante é que você está fazendo tudo certinho. Parabéns pela dedicação e pelos cuidados que está tendo, e não esqueça de dividir o seu tempo com a sua família e com os seus pets.
    Fico à disposição para ajudá-lo.

    Abraços
    Eduardo

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  2. #82
    Caramba !!! Deve ser um saco ler estas minhas postagens longas...
    Eduardo

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  3. #83
    Eduardo, acompanho o clube há alguns anos, apesar de ter participado muito pouco.
    Também gosto muito do Hi Fi Planet, pois aprendi muito lá com os seus artigos isentos e diretos.
    Respeito e agradeço pelo trabalho que você faz aqui, principalmente e claramente estabelecendo uma linha limite para anunciantes enrustidos que vez ou outra aparecem para vender seus produtos. Imagino que não deva ser uma tarefa fácil, pois implica em ser muitas vezes desagradável com os seus próprios colegas.
    Suas postagens não são longas, pelo contrário, são muito bem elaboradas e muitas vezes carregam mensagens sutis que para o bom entendedor basta para saber que você sacou a intenção.
    É por essa sua preocupação em filtrar conteúdos, tanto aqui como no seu blog, para evitar a proliferação de intenções comerciais que respeito muito o seu trabalho, que hoje é referência para muitos.
    Espero que nunca perca essa característica, pois o que mais tem na audiofilia são aproveitadores, e você ainda é referência de honestidade para todos nós.
    Valeu.

  4. #84
    Agradeço as palavras.
    Honestamente, por esses e outros aborrecimentos, eu tenho vontade de encerrar o Clube.
    De vez em quando aparece alguém para tumultuar as discussões (normalmente já expulso de outros espaços por comportamento inadequado), ou entra outro sujeito puxando algumas discussões para, ao final, anunciar que está fabricando isso ou aquilo, e outras situações de igual incômodo.
    Já não tenho mais tempo para me dedicar o quanto eu queria ao Clube, e ainda ter que aturar esse tipo de coisas, desanima muito.
    Deixar rolar e transformar o Clube num instrumento comercial de alguém, ou num ringue para alguns mal resolvidos perturbar a vida de todos com brigas e discussões, seria desistir de tudo o que eu acredito, ou seja, num espaço imparcial, sério e honesto, onde o respeito impere e a amizade prospere.

    Graças a alguns formadores de opinião que no passado tinham veículos de divulgação em mãos, muitas bobagens tomaram conta do nosso hobby (tenho muitas ainda para publicar no Hi Fi Planet), e aproveitadores apareceram de todos os lados, com acessórios bizarros, com roupagem de grife para velhas e baratas tecnologias, e com o oportunismo de amadores querendo fabricar e vender todo tipo de produto aos audiófilos tomados pela ilusão das soluções mágicas.
    Eu tento sempre que posso ajudar, sem nada pedir em troca, mas essa situação ainda vai durar muito tempo até que o mercado de áudio de qualidade (audiófilo, hi-end, ou como preferirem) amadureça, não só no Brasil.
    Eduardo

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  5. #85
    EDUARDO,

    GO ON ! !

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    Gilberto

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