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Tópico: Salão, salas e salinhas.

  1. #1

    Salão, salas e salinhas.

    Por Holbein Menezes.

    Quando eu tinha salas grandes (50 m² a do Rio e 35 m² a de Floripa),



    em todas as duas, nas duas regiões onde pus as caixas frontais de som dividi e desenhei em quadrículos cerca de 30 centímetros quadrados nos pisos onde elas estavam posicionadas. De modo que podia mover as duas caixas, simetricamente, para frente e para trás, para fora e para dentro; toe-in e toe-off. E manter a simetria.

    Aqui em Fortal, dispondo apenas de 10 m² na “gesso-filled”, e sem espaço para mover as caixas



    fui obrigado a buscar recursos no lado oculto da Lua; quer dizer, com o pensamento em ponta-cabeça, em vez de mover as caixas frontais passei a mover o lugar do assento em que sento; em que me sento em solilóquio auditivo; porque mais de 90% da escuta audiófila é feita por uma pessoa só: o dono da sala... n’est pas?

    Na sala do Rio os assentos eram... uma poltrona de quatro lugares; pesadíssima e, portanto, de trabalhosa movimentação. Na sala de Floripa os assentos eram uma fila de poltronas de um antigo cinema desativado de Joinville, afixadas no piso (aquelas velhas e confortáveis poltronas com assento em molas porém dobráveis, ainda que as poltronas fossem unidas uma noutra).



    Mas num caso e no outro, mover... quem havia-de?

    A partir desse problema tive a sorte de “desenvolver” a noção do ângulo vertical: porque “descobri” nas muitas mil horas de escuta musical doméstica que há um ângulo vertical representado pelo piso e teto; e se há um ângulo, necessariamente deve haver sua bissetriz: teoricamente, as bissetriz são os pontos que oferecem mais ilusão de palco na escuta caseira.

    Tal complicado arranjo complicou-se muito mais com a implantação na “gesso-filled” do modo de escuta 4.1, isto é, dois sonofletores na frente, dois atrás, mais o subgrave. Uma vez que, posicionadas as caixas, nelas não se podia mexer... porque outros lugares na pequena sala não havia!

    O jeito foi explorar, como disse, o lado oculto da Lua, quer dizer, se a Montanha não vai a Maomé, Maomé teria que ir à Montanha.

    E foi o que fiz. Escrevi acima que foi sorte, mas nem tanto... Porque eu já lera sobre o caso do teatro dos Rockefeller – o conhecido “Lincoln Center” – o qual foi projetado por uma equipe de alguns Acústicos de fama internacional. E ainda assim, deu zebra no dia de sua inauguração; e passou nove anos fechado!?!

    Ora, a Acústica não é uma ciência, é uma técnica; que é assaz dependente de circunstâncias. Não basta conhecer o Golden Ratio nem a matemática dos dispersores de reflexão; ajuda, mas não basta. É preciso ter a mente aberta para que improvisações aconteçam; em Acústica, dois mais dois nem sempre são quatro... As ondas sonoras são caprichosas e... pois é, chegam aos nossos ouvidos, na sua maior parte, por via das reflexões. Tanto que, quando andamos para lá e para cá em uma sala doméstica de som musical, observamos que em cada ponto o som é ouvido com tonalidade e intensidade diferentes; graves e agudos soam variados!

    Não só na situação da reprodução doméstica; nos teatros, também. Observei isso no tempo em que tinha entrada permanente para frequentar o Teatro Municipal do Rio de Janeiro; permanente para a primeira fila, a “fila do gogó”. Em cuja posição o som era muito desconfortável. Aí, quando estava para começar o concerto, eu trocava de lugar, ia para a poltrona, ou frisa, ou camarote que estivesse vazio. Em consequência do quê, pude observar os vários sons musicais do Teatro Municipal do Rio. Que são muitos!

    Vale a observação acima para os que necessitam acreditar que basta a grife e o seu dela alto preço, para montar-se uma sala doméstica para a reprodução do som musical. Ledo engano! É preciso, sobretudo, engenho e arte. E muito vaivém, bota e tira, monta e desmonta, e horas, muitas mil horas de escuta. Porquanto, não há uma referência, e estatística aqui não vale, graças a deus!

    Nesses anos todos de intensas experiências com a acústica de minhas várias salas, o único dado que jamais negou fogo foi o da concavidade das salas; a forma concha é o cara!

    Com essa ideia na cabeça, projetei a sala do meu estimado amigo de fé camarada, Professor José Aparecido Lopes, de Guaratinguetá. Cuja realização primorosa pelo perfeccionista que é o Professor Aparecido, o feito ficou melhor do que o pensado.

    Três aspectos dessa sala são primordiais para a excelente acústica final obtida: nenhuma superfície do recinto é paralela com outra, nem teto versus piso, nem as paredes laterais da direita e esquerda, e nem também – coisa muito difícil de realizar – nem também a parede dos fundos em relação à parede de trás dos assentos. O outro aspecto sui generis é que as paredes laterais, inda que de alvenaria (tijolo maciço, argamassa e reboco), são duplas, isto é, duas paredes paralelas com um “!gap!” de dez centímetros cujo permeio foi preenchido com areia de rio, seca. E por fim, na parede dos fundos foi aplicado revestimento em pedra com saliências variadas a fim de ensejar boa dispersão.

    As medidas da sala do Professor Aparecido são as medidas do Gonden Ratio, isto é, pé-direito de 3 m, largura de 4,80 m e comprimento de 7,50 m.

    Se eu lograr conseguir, postarei neste espaço fotografia da magnífica sala doméstica do Aparecido.

    Autor: Holbein Menezes

  2. #2
    Citação Enviado originalmente por Robinson Ver Mensagem
    Se eu lograr conseguir, postarei neste espaço fotografia da magnífica sala doméstica do Aparecido.

    Autor: Holbein Menezes
    Contribuindo para o tópico , lá vai uma foto da sala do Prof Aparecido , também meu amigo dileto .



    Foto antiga , as caixas hoje são as Hyperion 938 , a eletrônica pré+power BAT , player MBL e toca-discos Creek Windsor turntable .
    Desta época se vê um integrado Karam ( muito bom ) , dois powers valvulados Termiônica ( Rui Fernando ) , um TD RPII modificado , caixas Kef reference 2 e ao lado dois paineís eletrostáticos do Paulo Ramos , que ainda quero ouvir um dia .



    Um " pequeno " sub , do tempo que o sistema era 2.2 . Um falante NOS Wharfedale ( presente do Holbein ) em Alnico instalado em uma singela manilha de concreto ... Acho que estes falantes estão a venda pra quem se interessar .



    Prof. Aparecido e o colega Dr. Aragão , ginecologista ( profissão que invejo ... )

    Um pequeno adendo na descrição da sala , além das medidas serem totalmente fora de esquadro , e o entreio de areia entre as paredes duplas , a sala é uma gaiola de Faraday , com portas e janelas fazendo parte desta gaiola ( impressionante ) .
    Estes dias estava tocando um mini system Yamaha nesta sala , vocês não tem idéia de como estava tocando bem . O engraçado foi o relato da decepção do dono deste mini system quando o levou pra sua casa , parece que não tocou igual ...
    Última edição por JulioCesar; 23-07-12 às 07:52.

  3. #3
    Júlio e Holbein,

    Excelentes depoimentos sobre salas. Somente agregam ao nosso conhecimento coletivo. Parabéns!

    Robinson

  4. #4
    Holbein escreveu :
    " A partir desse problema tive a sorte de “desenvolver” a noção do ângulo vertical: porque “descobri” nas muitas mil horas de escuta musical doméstica que há um ângulo vertical representado pelo piso e teto; e se há um ângulo, necessariamente deve haver sua bissetriz: teoricamente, as bissetriz são os pontos que oferecem mais ilusão de palco na escuta caseira. "
    Não sei de vocês , mas a melhor posição de escuta na minha sala é em pé ! ... Pena que cansa , senão acho que ficava assim a noite toda ... (rs.)
    As medidas - 4,25/7,15/3,0 mts = 91,162 m3 , uma pena mas não consegui ficar acima dos 100 m3 que considero ideal ( malditas normas de construção do meu condomínio ...)

  5. #5
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    O meu Muitíssimo Obrigado ao Mestre Holbein e ao Júlio por todo este acervo de conhecimento que está sendo compartilhado aqui neste tópico.
    Abraço,

    João


    A humanidade está perdendo seus gênios! Aristóteles faleceu, Newton já era, Einstein morreu e eu não estou me sentindo bem.

  6. #6
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    Olá amigos!

    São pedras no fundo e nas laterais da sala?

    Sds,
    Magno

  7. #7
    Magno, seja muito bem vindo ao espaço !

    Caso deseje, há uma área para se apresentar aos demais amigos: http://www.clubehiend.com.br/forum/f...esenta%E7%F5es

    Saudações.

  8. #8
    Sim ,no fundo são pedras , nas laterais tijolos a vista . Para funcionarem como dispersores .

  9. #9
    Fascinante.

    Só agora (há um mês aproximadamente) tomei conhecimento do grande Holbein Menezes. Uma pena, para mim.

    Eu gostaria muito que ele postasse mais coisas aqui no clube, pois suas considerações são preciosíssimas.

    Agradecido, mestre Holbein Menezes.

  10. #10
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    Citação Enviado originalmente por cametajunior Ver Mensagem
    Fascinante.

    Só agora (há um mês aproximadamente) tomei conhecimento do grande Holbein Menezes. Uma pena, para mim.

    Eu gostaria muito que ele postasse mais coisas aqui no clube, pois suas considerações são preciosíssimas.

    Agradecido, mestre Holbein Menezes.
    Meu caro Cametajunior,

    Vc tem artigos já escritos anteriormente, no próprio site do Holbein: http://www.audioliberum.com.br/
    Abraço,

    João


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