Amigos,

Já tratamos brevemente sobre este tema em outra oportunidade, inclusive lembrando que este é um motivo de punição.

Mas, observando que algumas vezes nos deparamos com mensagens com algum teor de agressividade, que causam mal-estar entre alguns membros do Clube que frequentemente nos reportam ou publicamente se manifestam sobre este tipo de comportamento, resolvi explorar um pouco mais este tema.

Percebo que existem alguns padrões bem claros que levam a estas manifestações mais "duras" e antipáticas, e que muitas vezes nem o são na verdade, mas a forma como se escreve causa esta impressão. Vou mencionar algumas, mas sintam-se livres para complementar ou explorar melhor cada uma delas.

Noto que algumas pessoas sentem uma necessidade de mostrar conhecimento sobre um determinado assunto. Isso é normal do ser humano que sente orgulho em aprender e demonstrar esse conhecimento como um diferencial de desenvolvimento intelectual sobre o tema.
Isso é algo interessante, pois difunde o conhecimento, mas também muitas vezes é entendido como sinais de "exibicionismo" ou de "arrogância".
Normalmente o problema está em como a pessoa apresenta a informação.
Demonstrar conhecimento é algo normal, mas a forma de fazê-lo pode fazer toda a diferença.
Numa discussão sobre qualquer tema os participantes tendem a emitir opiniões pessoais e que, obviamente, estão ligadas às suas experiências, conhecimentos e até análises puramente subjetivas.
Neste caso, quando alguém possui um conhecimento mais profundo do assunto, pode manifestar-se de forma sugestiva ou de imposição.
Na forma sugestiva ele diz algo assim: "pelo conhecimento que obtive em meus estudos, ou pesquisas, entendi que a causa disso é..."
Esta manifestação é bastante positiva, pois é aceita mais naturalmente, na forma de um compartilhamento de conhecimentos.
Pode o autor agir com forte imposição, mais rude e, assim, menos simpática: "Não é nada disso. Vocês estão errados. Não conhecem o assunto e falam bobagens. O fato é que..."
Percebam a diferença.
No primeiro caso ele respeita as opiniões e conduz a discussão num sentido mais correto. No segundo caso menospreza as opiniões anteriores e, de forma rude, tenta se colocar como o único que deve ter a opinião respeitada, constrangendo os demais participantes.
Isso normalmente não é bem aceito e cria alguma antipatia, afinal, ninguém gosta de ser reduzido à condição de "ignorante".

Outra questão que causa certos desconfortos nas discussões está na ironia ou no desmerecimento das opiniões alheias.
Aqui, o autor da mensagem tem a sua própria opinião, algumas vezes desprovida de formação científica ou experimental, mas tenta impô-la sobre as demais desejando o reconhecimento dos demais membros do Clube, de forma bastante incisiva, insistente e autoritária.
Nosso hobby, por sua própria natureza, e graças a desinformação que muitos meios comerciais injetam no mercado, é bastante complexo. Opiniões variam muito. Algumas verdades são bem discutíveis.
Vejam que temas como cabos fazerem diferenças, melhores marcas, ajustes, além de outros, nunca têm uma conclusão definitiva, e normalmente são os maiores causadores de conflitos.
O "calor" das discussões e, novamente, a imposição de uma opinião sem respeito às demais são causas de atritos e de mal-estar.
Todos podem ter opiniões, sem desmerecer a opinião alheia, sem querer impor a sua como a única correta, usando até artifícios bem desagradáveis como ironizar opiniões contrárias.
Respeito é fundamental.
Pessoas se matam ao defender times de futebol, e o que vemos em nosso hobby é algo parecido. Há um radicalismo muito forte em algumas manifestações, bastante agressivas e com imposições exageradas.
Isso precisa ser evitado. O fato de alguém não concordar com a nossa opinião não é uma afronta pessoal, mas uma opinião baseada em suas experiências anteriores, e certa ou errada, uma opinião é sempre uma opinião, e deve ser respeitada e debatida dentro do melhor espírito de cordialidade e respeito.

Outro problema que percebo é que a manifestação escrita muitas vezes não consegue transmitir a verdadeira ideia de nossas intenções.
Quando estamos presentes fisicamente numa discussão, ela é conduzida de uma forma, mas quando estamos atrás de um teclado é muito difícil demonstrar nossos verdadeiros sentimentos e intenções.
Podemos parecer arrogantes, agressivos, irônicos, desrespeitosos, etc, mesmo sem perceber ou ter intenção de agir daquela maneira.
Percebo no meu trabalho a importância absurda que ganhou o email. Hoje se diz "Bom dia" ao colega da mesa do lado por email...
Eu uso muito o email, é bastante útil e importante na vida profissional, pois registra o que foi tratado. Mas, em muitos casos, nada substitui o telefone ou o contato pessoal. Sou da antiga, prefiro usar mais o telefone e, se possível, o encontro pessoal para certas discussões. Isso funciona muito melhor.
Já vi dois profissionais de empresas diferentes tratarem-se com muita violência por email, mas ao se encontrarem, sorrirem imediatamente um para o outro, dividirem o café e conduzirem o mesmo tema de forma extremamente mais amigável.
A impessoalidade que esta telinha que está à nossa frente coloca entre os interlocutores é um problema muito sério.
É algo que acontece nas ruas. Quando se está dirigindo e um veículo entra abruptamente à sua frente, o motorista se irrita, xinga, inicia uma discussão que pode acabar numa briga e até mesmo em morte, como vemos todos os dias. O pior é que nada aconteceu de fato. Eu dirijo mais de 200km por dia e levo inúmeras "fechadas", e isso não me irrita mais, reduzo a velocidade e continuo meu percurso.
Numa calçada duas pessoas se esbarram (colidem) e normalmente há um pedido de desculpas com uma resposta do tipo: "não foi nada", "desculpa eu", "imagine", ou outra qualquer, raramente terminando em briga. A impessoalidade de se estar atrás de um volante ou de um teclado parece fazer as pessoas se sentirem mais poderosas, cheias de razão, desejando um mundo perfeito e submisso.
Isso só os psicólogos explicam, e não vou entrar em detalhes de algo que não conheço.

A verdade é que boa parte das manifestações mais agressivas que ocorrem em nosso Clube jamais aconteceriam numa mesa de um restaurante, em uma roda de amigos descontraídos numa "cervejada", ou em outra oportunidade mais descontraída onde as pessoas são vistas como pessoas, e não como a continuação de uma máquina, no caso o computador.
Os smilies foram criados para tentar transmitir um pouco mais de emoção nas discussões, tentando suprimir um pouco essa impessoalidade, mas, continuam sendo uma extensão de algo bastante impessoal. Ajudam, mas não resolvem. Em alguns casos até pioram quando mal utilizados, reforçando uma ironia, por exemplo.

Existem outros fatores que também levam uma discussão para uma condição de mal-estar, e sempre o culpado disso somos nós mesmos. Como evitar isso, então?

Entendendo as causas acima, já temos uma ideia de como evitá-las.
Mas, basicamente, sugiro algumas regrinhas que podem funcionar:

- Antes de postar a sua mensagem, tente ver se ela não parece agressiva, arrogante ou irônica, e possa ferir o sentimento de alguém que participa da discussão. Coloque-se no lugar da pessoa a quem você dirige o texto, e tente imaginar como você se sentiria.

- Respeite as opiniões alheias, mesmo que considere-as erradas. Não existem ganhadores numa discussão, apenas troca de opiniões. Se bem conduzida a discussão, com respeito, e não de forma desafiadora e com imposição, quem emitiu a opinião contrária, ou errada, certamente vai refletir sobre isso, e todos aprendem. Nunca espere que alguém mude de uma opinião naquele momento. Mesmo que sem refletir no assunto a pessoa perceba que sua opinião pode não estar certa, dificilmente ela reconhecerá isso naquele momento, pois pode se sentir constrangida, humilhada ou algo assim.

- Não imponha a sua opinião. Uma vez que você declinou sua posição sobre o tema, não há porque ficar insistindo nela e tentando impô-la como a única correta e aceitável. As manifestações que se seguirão certamente farão esse trabalho, enriquecendo o tema.

- Certos temas não tem mesmo uma conclusão definitiva. Porque então insistir de forma agressiva? Sabemos que sempre existirão pessoas que acreditam numa coisa e outras que acreditam no contrário. E os dois grupos são grandes, muito alimentados de apoios das demais pessoas que concordam com um ou outro lado. Vamos criar um conflito por causa disso? Por conta dessa intolerância pessoas morrem diariamente no mundo todo, e nada muda.
Se alguém diz que cabos não fazem diferença, é certo uma manifestação do tipo: "Fazem sim, ou você é surdo ou seu equipamento não presta."?
Amigos, todos somos surdos. Existem animais irracionais e que andam de quatro patas que ouvem muito mais do que nós. Vamos sentir vergonha disso? Inferiores? Não! Cada opinião pode estar correta para cada indivíduo, dentro de seu contexto individual. Isso deve ser respeitado, e sempre entendido que para aquela pessoa o resultado é diferente, e cuidado, pode ser até o correto. Podemos estar enganados até mesmo depois de experimentar algo contrário.
Já vi um colega dizer que um novo cabo de áudio era melhor que o que ele tinha, mas depois que ele fez uma boa limpeza de contatos no velho cabo oxidado, a diferença sumiu. Veja que ele foi honesto em sua opinião, mas outro fator que até então desconhecia o fez crer que estava certo. Então, muito cuidado, pois nossa certeza pode não ser tão certa assim.

- Cuidado ao afirmar que isso é melhor que aquilo. Além de ofender quem gosta daquilo que você criticou, novamente, as situações podem ser bem distintas.
Se alguém me presenteasse com uma Ferrari e dissesse que escolheu aquele carro por considerá-lo o melhor do mundo, ficaria mais tarde desapontado ao saber que vendi o carro e comprei um jipe ou um utilitário qualquer. Onde moro e os lugares que frequento não permite que uma Ferrari trafegue facilmente, e ela jamais iria mostrar suas qualidades pela simples falta de "espaço" para isso. Seria uma péssima escolha para mim.
Uma caixa-acústica pode ser maravilhosa, mas dependendo da sala e de inúmeros outros fatores ela será uma péssima opção para centenas, milhares ou milhões de consumidores. Por isso critico tanto alguns reviews.

Enfim (ou este texto ficaria "ainda mais" longo), vamos ter um pouco mais de sensibilidade em nossas manifestações, tentando evitar estes erros comuns, buscando maior harmonia em nossas discussões.
Isso é muito simples e fácil. Vamos evitar escrever por impulso, motivado por sentimentos ruins ou com intenções duvidosas.

Temos neste espaço um grupo muito especial de amigos. Esta foi a intenção da criação deste Clube, diferenciando-se de outros espaços que mais parecem campos de batalha para manifestações de arrogância, ignorância e de atitudes ainda mais lamentáveis de "carteiradas", manipulações e censura, em atos imaturos e condenáveis.
E, estejam certos de que a administração deste Clube, através de sua moderação séria, vai evitar a contaminação deste espaço com esse tipo de interferência indesejada.

Não sou um sociólogo, um psicólogo nem tenho qualquer formação no estudo do comportamento humano, das suas relações e interações sociais ou algo assim. Espero não ter me manifestado de forma confusa, incompreensível ou até equivocada. Mas, espero que pelo menos a ideia tenha sido compreendida, e possamos tornar nosso espaço cada vez melhor, mais integrado, mais agradável, e que todos os amigos que aqui frequentam se sintam especiais por fazerem parte desse grupo.

Abaixo, transcrevo dois textos interessantes que encontrei na internet sobre este assunto.

Abraços a todos.


Falta de contato visual incentiva a agressividade online, mostra estudo

PESQUISA

Nova pesquisa realizada na Universidade de Haifa, em Israel, e publicada na revista Computers in Human Behavior sugere que as pessoas que praticam bullying pela internet se aproveitam da falta de contato visual com as suas vítimas.
Nunca foi surpresa – especialmente para quem passa muito tempo conectado – encontrar pessoas com comportamentos cruéis e agressivos nos mais diversos fóruns e salas de bate-papo. Esse tipo de comportamento era, anteriormente, atribuído ao anonimato e à invisibilidade proporcionados pela internet.

Entretanto, o novo estudo vai além e mostra como a falta de contato direto pode incentivar os comportamentos ofensivos. A pesquisa colocou 71 pares de estudantes que não se conheciam para discutir sobre um tema aleatório por meio de um sistema de mensagens instantâneas. Cada par de estudantes, sentados em salas diferentes, conversou em diversas condições: a alguns deles foi pedido que compartilhassem detalhes pessoais enquanto outros mantiveram contato visual durante a conversa com a ajuda de uma web-cam.

O que os pesquisadores concluíram foi que quando o contato visual foi minimizado, os participantes do estudo dobraram as tendências hostis. Isso significa que muito mais que o anonimato e a invisibilidade, o que define o comportamento online é a capacidade de manter ou não contato visual com o seu interlocutor.

Mesmo quando apenas os olhos dos participantes eram visíveis através da câmera, raramente o outro jovem cometia alguma ameaça ou hostilidade enquanto era mantido o contato visual.


E ainda que ninguém saiba explicar exatamente porque o contato visual faz tanta diferença, os pesquisadores notaram ainda que olhar nos olhos do companheiro de conversação ajuda a entender os sentimentos dessa pessoa. De acordo com o co-autor do estudo, Noam Lapidot-Lefler, esse contato direto faz toda a diferença na hora de entender os sinais que seu interlocutor tenta enviar a você.
Fonte:Universia/ Autape




Por que as pessoas adoram brigar na internet?





Por Guilherme de Souza em 26.07.2012 as 13:04




Você provavelmente já viu (ou, quem sabe, já começou) discussões “acaloradas” em seções de comentários de sites ou em redes sociais. No ambiente virtual, muita gente gosta de “soltar os cachorros” e expor seus pontos de vista com sarcasmo e agressividade.
Para alguns especialistas, a prática não apenas faz pouco sentido, como também pode atrapalhar o convívio social cara-a-cara. “Ter uma forte experiência emocional que não acaba de modo saudável não pode ser bom para você”, diz o professor de psicologia Art Markman, da Universidade do Texas em Austin (EUA).
Fundamentos da discórdia

Ele apontou algumas possíveis razões por trás das brigas virtuais. O primeiro seria o anonimato – mesmo quando usamos perfis reais, muitas vezes o “adversário” provavelmente nem nos conhece direito. O segundo fator seria a distância, que deixa as pessoas mais à vontade para brigar. Por fim, é mais fácil “destilar veneno” com escrita do que com a fala – há séculos já era comum as pessoas publicarem artigos ou cartas em jornais atacando seus adversários.
Além da agressividade, outro elemento impressionante em alguns debates virtuais é o tamanho dos comentários. Como as brigas não acontecem exatamente em tempo real, a pessoa tem mais tempo para pensar e dar uma resposta – e, ao invés de se acalmar, muitas vezes acaba “refinando” a agressividade.
Para o professor de Ética em Jornalismo Edward Wasserman, da Universidade de Washington e Lee (EUA), há maus exemplos na mídia que reforçam esse tipo de comportamento – em artigo recente, ele cita apresentadores de televisão dos Estados Unidos famosos por seu estilo agressivo. “As pessoas, de modo compreensível, concluem que a ira é a linguagem da política e que é assim que se discutem ideias públicas”, escreveu Wasserman.
Como manter a cabeça no lugar

Embora a internet ajude a criar contato entre pessoas que, de outra maneira, jamais se conheceriam, ela muitas vezes não dá suporte a certos elementos fundamentais da comunicação, como os gestos, o tom de voz e o contato visual.

“Quanto maior a distância do diálogo cara-a-cara, em tempo real, mais difícil é se comunicar”, apontou Markman. Ele acredita que a mídia não deveria reforçar a ideia de que agressividade é boa para discussões. “Mesmo que alguém exponha uma ideia legítima, se usar um tom agressivo, está ferindo a natureza da discussão e incentivando outras pessoas a responder da mesma forma”.
Para os usuários “esquentados”, ele sugere que criem o hábito de debater ideias pessoalmente – o que incentiva o exercício da paciência na hora de expor pontos de vista. Se eles praticarem isso, terão mais facilidade para dialogar no meio virtual sem depender de “veneno” para dizer o que pensam.[Life's Little Mysteries]

Fonte: http://hypescience.com